O que temos a oferecer em 2018? Sabemos que será um ano de muita luta, decisivo para todos nós e importante no sentido de mudarmos todas as coisas que vivemos nos últimos dois anos onde o ódio, a vingança, a caça as bruxas, a incompetência, o roubo e a corrupção nos afrontaram e devastaram nosso país.

Não é a toa que ao refletir sobre esse final de ano, venho sentindo um desejo enorme de ir na contramão do que muitos de nós mesmos falamos todos os dias nas redes sociais. Observação e estudos sobre comportamento humano e de massa tem me feito repensar nos últimos dias sobre nossa performance nas redes ao comentar fatos e assuntos da política que nos dizem respeito.

Temos sido atormentados em nossas emoções e embotado nossa racionalidade que poderia estar a serviço de nós mesmos e de nosso povo sofrido. É o que Lula faz. Ele é meu exemplo maior.

A lógica que vem permeando as redes tem sido a lógica dos golpistas, a narrativa mais fácil.  Entramos nessa onda doentia de ódio aos outros, ódio aos diferentes, ódio aos pobres, ódio aos homossexuais, ódio às mulheres, ódio aos negros, ódio aos trabalhadores e tantos outros ódios… Um ódio que nos é inoculado feito veneno as nos consumir. Um ódio pelos outros, mas, nutrido internamente onde nós somos os primeiros a receber a sua energia.

Nós também fazemos esse papel nas redes sociais. Reproduzimos o mesmo comportamento, as mesmas posturas que questionamos em nossos adversários.

Nossas denúncias quase sempre estão se dando em cima de pessoas e não em cima dos fatos. Estamos nos deixando afetar tão gravemente por essa onda de ódio e violência que não refletimos sobre o que isso significa.

Isso mostra o quanto a mídia golpista com sua promoção à violência tem sido eficaz. Seguimos invariavelmente as postagens onde aparece algum tipo de denúncia e preferimos essas a aquelas que mostram propostas importantes para mudar a nossa vida e o mundo.

Deveríamos estar falando em esperança e preferimos falar da mesma violência e ódio que tanto reclamamos. Pessoas que se dizem petistas ou simpatizantes do PT e da esquerda invariavelmente seguem muito do que sai na mídia mentirosa e não confirmam as notícias nos sites e blogs do próprio partido e pouco compartilham o que é publicado neles nem nos blogs progressistas.

Os blogs de esquerda por sua vez, fazem denúncias e mais denúncias, opinam sobre o atual governo e isso é muito mais repetido do que as soluções e propostas para os problemas do Brasil. Como atualmente existe muita coisa a ser denunciada, pouco é feito no sentido de oferecer sugestões e projetos para melhorar o país, com algumas exceções.

A vida está difícil no Brasil, mas, também está no mundo todo. Será que nos cabe fazer a vida ficar ainda pior para todos? Será melhor mesmo ser instrumento de vingança, de ódio, de sofrimento de quem já tem passado por experiências tão difíceis? Palavras de esperança e amor é o que o povo busca e que todos nós estamos precisando. Não precisamos de mais ódio que vemos e sentimos todos os dias em nossas vidas.

Minha prática nas ruas com os trabalhadores tem me mostrado que tem muitos companheiros que estão arrependidos das decisões que tomaram em 2015 e sentem que foram enganados e manipulados. Temos que trazê-los à razão.

Precisamos estudar muito sobre manipulação das massas para furar o bloqueio e não criar bloqueios. É claro que existem os hipócritas e canalhas mas, também, existem os manipulados que no seu dia a dia de trabalho, não tinham tempo e nem eram estimulados a raciocinar. Tem muito trabalhador assim que hoje está dando o braço a torcer e não podemos exclui-los. Precisamos acolhê-los e fazer a disputa de narrativa contra a mídia e esse governo destrutivo e calamitoso. Mostrar que a mídia como um todo tem interesses contrários a todos nós que queremos justiça, igualdade, solidariedade e trabalho para e com o povo.

O último dia do ano me fez fazer esse balanço e essa reflexão sobre o nosso papel diante do golpe e da guerra que estamos enfrentando. Temos que escolher o que queremos ser. Instrumentos da radicalidade pela mudança do Brasil, oferecendo esperança, motivação pela transformação, acolhimento e coerência em nosso discurso e na prática social ou queremos continuar deixando que a mídia do ódio, da intriga, da violência, do extermínio e da exclusão nos vença pautando nossas lutas?

É preciso transformar o ódio que nos inoculam em radicalidade na luta, com esperança, inteligência e consciência.

Não desejo que 2018 seja o mesmo que 2017! Tem que ser melhor! Melhor para todos nós! Melhor para nosso povo! Mas, para isso, não basta o desejo! É preciso ação! Ação radical pela transformação definitiva de nosso país. Somos um celeiro de riquezas! Elas nos pertencem e precisam ser aproveitadas a favor do povo e do desenvolvimento do país a favor de causas que possam ajudar nosso mundo a ser transformado. 

Então, peço cuidado a todos nós em 2018! Cuidado no sentido de cuidar, fazer com carinho e atenção tudo que fomos fazer. Não dá mais para fazer qualquer coisa sem planejamento e estratégia.

E que possamos ter um grande 2018 para todos nós com muita força e energia para enfrentar todas as possibilidades que irão se construir ao longo do ano!