Por Wadih Damous 

Tradicionalmente a direita não expõe a sua cara no Brasil. Seus representantes sempre se autodefiniam como “de centro” quando não “de centro-esquerda”. Adireita tinha vergonha de se assumir como tal. Agora a direita se assanhou e pôs a cara de fora. Até aí, tudo bem. Sempre que qualquer corrente política quiser disputar espaço na sociedade de forma democrática, não há o que reclamar. É do jogo.

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Mas, muito rapidamente a direita mostrou seu caráter autoritário e intolerante. O editorial de um grande jornal afirmou, dois dias depois da vitória de Dilma Roussef, que o resultado eleitoral se deveu aos votos dos beneficiários de programas sociais, contra os votos “dos que produzem e pagam impostos”.

Faltou pouco para o jornal defender a volta do voto censitário, no qual só tinham direito a votar aqueles com renda acima de determinado patamar, como no tempo do Império. Essa afirmação do jornal, além de preconceituosa, foi mentirosa. No Brasil, a maior carga de impostos fica nas costas dos pobres: 40% da renda nacional é apropriada por 1% da população, gente que ganha mais de 20 salários mínimos. Mas esse contingente, que se apropria de 40% da renda, é responsável pelo pagamento de apenas 7,3% do total dos impostos.

Próceres do PSDB, como Fernando Henrique Cardoso, desvalorizaram o voto dos nordestinos pobres, identificando-o como fruto da ignorância O preconceituoso ex-presidente esqueceu-se de que os governos do PT apesar das limitações – melhoraram a vida dos mais pobres. Aí, e não na desinformação, residiu a razão do voto deles em Dilma Nesse festival de intolerância, o deputado tucano José Aníbal (um ex-petista!) evocou Carlos Lacerda, símbolo maior do golpismo em nossa história, para afirmar que, se Dilma vencesse e tomasse posse, não podería governar.

Nas redes sociais já circulam abaixo-assinados pedindo o impeachment da presidenta reeleita, antes mesmo de ela tomar posse para seu segundo mandato. Isso criou um caldo de cultura para que, nas ruas, eleitores com adesivos de Dilma fossem ameaçados e até agredidos por pitboys fascistas.

A eleição ter sido apertada não tira a legitimidade de seu resultado. Não aceitar isso é passar recibo de golpista.