Fiquei pensando se deveria escrever antes de terminar o ano para dizer alguma coisa sobre o que aconteceu em 2013 e desejar coisas para 2014… É isso que as pessoas fazem quando termina um ano e começa outro? Para que serve tanta festa, tantos fogos, tanta comemoração? Na verdade um ano que termina pede reflexão e maturidade para entendermos o caminho que percorremos e que podemos ou não continuar trilhando. O que fizemos que não deu certo? Onde erramos? Que atitudes tomamos que nos fizeram acertar? E o que podemos fazer para que o novo ano que se inicia seja de fato melhor? Me fiz essas perguntas. Anotei algumas coisas em meu caderninho de reflexões. Todo mundo deveria ter um. Anotar tudinho no final de um ano e início do outro e durante o ano rever, refazer passos, mudar o que tiver que ser mudado, refletir de novo, agindo sempre perseguindo o melhor. Apesar de ter chegado até aqui com algumas alegrias e muitas tarefas cumpridas conforme planejado, não posso dizer que o ano de 2013 foi um bom ano. No sindicato, fizemos muitos acordos e convenções boas em relação a outros sindicatos, mas tivemos também algumas perdas, e mais do que nunca, nos convencemos que precisamos fazer muito mais trabalho de base. Aliás, a tônica desse artigo retrata o que penso sobre isso. Tanto no sindicato como nos partidos, o que falta é trabalho de base. A consciência política não acontece de uma hora para outra. É preciso muito trabalho educativo. É prioritário entendermos que nossos trabalhadores e trabalhadoras precisam de formação política e isso não pode acontecer sem um bom trabalho de base. Se algo me impressionou nesse ano que está acabando foi a constatação inequívoca de que vivemos ainda num Brasil onde a elite dominante é egoísta, racista, discriminadora, violenta e agressiva. Dez anos de governo do PT bastou para que o conservadorismo reinante ficasse totalmente explícito e viesse a tona com toda força contra mudanças absolutamente necessárias para o nosso país. Nesses dez anos de governo tivemos muitos avanços! Mas, não há como nos contentarmos com o que foi conseguido até agora. É preciso avançar e muito! Acredito que poderíamos ter avançado em muitas coisas que não conseguimos ainda pela ingenuidade de alguns e pela omissão de outros. Por mais que alguns digam que não, colocando a culpa na governabilidade pela demora em fazer as reformas necessárias ao Estado brasileiro, penso que, não avançamos por que a direita foi mais competente e percebeu a falta de união das esquerdas brasileiras. Percebeu também, que uma parcela dessa esquerda passou a se preocupar pragmaticamente com as eleições e passou a negligenciar o trabalho de base nos sindicatos e nos movimentos sociais como um todo. Foi dessa forma que a direita conseguiu tempo e condições para montar a maior farsa judiciária já vista nesse país. Com a acusação, julgamento e condenação das maiores lideranças do PT na AP 470, promovida com requintes de maldade desde 2005 através de um conluio entre as forças conservadoras que habitam o STF, a mídia corrupta e alguns partidos que são representantes deles, o PT e todas as esquerdas foram atingidas em cheio, embora, algumas ainda acreditem que nada disso tem a ver com elas… Zé Dirceu era o cérebro que a direita queria abater. Para a direita não importava quem estivesse no caminho, desde que pudessem acabar com a influência de Dirceu no Governo, no partido e na articulação das esquerdas. A prisão dele junto com outros companheiros que culminou nesse ano de 2013 foi o espectro que faltava para acordar algumas pessoas que dormiam achando que nada disso iria afetá-las. Pena isso ter acontecido só agora. O grande problema das esquerdas é que elas gastam uma energia enorme com os dissensos ao invés de promoverem os consensos, e se esquecem que nosso país se erigiu em bases colonialistas e escravistas que mesmo com os dez anos de governo que mudou algumas prioridades, as estruturas de poder se mantiveram. São estruturas corporativas muito fortes que estão no mundo todo há muito tempo. Por outro lado, a formação cultural de um povo não se muda em uma geração. O trabalho de base é essencial e faz toda a diferença. Não é todo mundo que tem que ser dirigente de partido e nem todo mundo tem que ser candidato a cargo eletivo. Um projeto funciona se cada um tiver fazendo a sua parte no processo, sem egos inflados que acham que podem tudo. A formação política precisa ser feita junto com os trabalhadores e trabalhadoras pelos dirigentes dos sindicatos. Para que serve o sindicato? Somente para fazer acordos e convenções? Isso não muda as estruturas sociais. Dirigente sindical precisa fazer trabalho de base. O dirigente partidário por sua vez, precisa estar junto às suas bases políticas, não apenas nas eleições, mas, trabalhando o tempo todo junto com elas. Os militantes sociais precisam trabalhar em suas bases, construindo junto com a população a participação e o debate político. O PT precisa voltar a fazer o que sempre soube fazer. Trabalho de base. Insisto! Muito trabalho de base! O próximo ano promete vir com muitas mentiras, golpes e manipulações. A direita vai investir tudo para atrapalhar o projeto de país que está sendo desenvolvido.Temos que aproveitar o tempo, pois estamos atrasados e fazer muito trabalho de base! Colocar mãos a obra! Fazer o debate! Debate político mostrando as obras, ações, as mentiras da direita e o que se pode fazer com uma base melhor de governadores, deputados e senadores. Temos que mostrar que faz diferença a participação do povo junto ao políticos que elegem. Que eles podem, merecem e conseguem participar. Mostrar também à população quem hoje faz parte da justiça desse país. Eles vão entender muito bem, pois, a maioria deles sofre injustiças, são menosprezados, discriminados pelo Judiciário, pela PM, pelo MP e por muitos outros entes desse sistema corrupto que assola todos nós. Se não temos a mídia, temos as redes sociais, temos jornais, revistas e panfletos e temos boca para falar e mostrar a verdade, que está do nosso lado. Dirceu, Genoíno e Delúbio não estão presos e sofrendo injustiças em vão! Eles estão nos mostrando o caminho de volta que precisamos trilhar. Vamos à luta e por ela venceremos! Que 2014 venha logo e traga com ele todas as tempestades! Enfrentaremos todas com o povo do nosso lado!