Por Roniel Sampaio Silva no Site Café com Sociologia

Cenário da docência no Brasil

Quase ninguém quer ser mais professor. Apenas cerca de 2% dos nossos alunos querem a docência (Fundação Carlos Chagas & Victor Civita, 2010). A evasão nos cursos de licenciatura é altíssima. Os atuais mestres estão deixando a profissão e os que restam em breve vão se aposentar. Até 2021 estima-se que 40% dos docentes do ensino médio estarão aposentados.

Resultado: Risco de um colapso no número de profissionais e caos na contratação de professores.

Enquanto a saída está na valorização da categoria, por meio de melhoria da formação, das condições de trabalho e salário; as políticas públicas ainda são muito tímidas e não contemplam a emergência, importância e materialidade das necessidades da educação pública.

E a valorização?

Tudo indica que invés de valorização o que vai ocorrer é ampliação da formação precarizada a partir do fomento da educação privada e isso vai enriquecer mais ainda os donos de complexos educacionais de nível superior. Os grupos privados educacionais cada dia mais aumentam os seus números; tanto o número de formados, quanto os seus lucros. Em 2011, o faturamento cresceu em média 30% alavancados pelos incentivos fiscais e programas governamentais de transferência de recursos como PROUNI e FIES.

Ao que parecer as atuais políticas de formação de professores,   incluindo PARFOR e UAB, não estão satisfatoriamente integradas à efetiva melhoria na formação, carreira, condições de trabalho e salário.  Tais políticas de formação parecem preocupar-se muito mais com a quantidade do que com a qualidade. Ou seja,  em aumentar o número de formados a fim de garantir que mais profissionais estejam no mercado. Estes por sua vez terão custo de mão de obra sempre rebaixado do grande contingente de docentes formados.

O problema disso é a alta rotatividade de docentes que “estão sendo professores” e não “são professores” efetivamente. Essa rotatividade prejudica o fortalecimento das práticas docentes em favor de uma necessidade dos setores educacionais privados, que terão maior clientela para ocupar os postos de trabalhos vagos, alimentando o ciclo de reprodução da precarização da educação. Assim fica difícil ter bons indicadores quantitativos e qualitativos para a educação. Na última avaliação da OCDE (2014), ficamos em penúltimo no ranking.

Pensando como Celso Furtado, ganhos individuais para os grandes grupos educacionais, prejuízos coletivos para toda sociedade brasileira. Cada vez mais a educação deixa de ser um direito para ser uma mercadoria.