A economia brasileira funciona que nem um carro potente, que anda com o freio de mão puxado. Esse freio é composto por vários fatores: a) má distribuição de renda; b) má distribuição tributária; c) excesso de tributação sobre o consumo; e; d) elevado custo do crediário, que acrescenta pelos juros uma vez e meia (!) o preço à vista.

O fio condutor do crescimento é o CONSUMO das famílias, o qual corresponde sempre a mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB). O restante é, em média, de 20% de consumo (despesas) do governo e 18% de investimento.

Assim, para reativar a economia, é fundamental contar principalmente com o consumo das famílias, travado principalmente pelo excesso de juros do crediário. (Negar isso é incorrer em erro grosseiro de diagnóstico.)

A estratégia deste governo para alavancar o crescimento se apoiou, no entanto, em eleger o investimento como fio condutor. Pior ainda: vem afirmando que o investimento só virá a ocorrer após aprovadas as reformas trabalhista e previdenciária, pois os empresários se animarão com isso e passarão a investir. Erro em cima de erro…

Quem conhece um pouco de mercado sabe que o empresário só arrisca seu capital se vislumbrar expectativa de crescimento na venda de seu produto ou serviço e, assim mesmo, se sua capacidade ociosa for baixa. Ora, dificilmente se moverão para investir, pois além de ter elevada capacidade ociosa nas empresas, a perspectiva de consumo não é boa devido ao desemprego e endividamento das famílias ambos elevados. Há, portanto, que mudar a estratégia para crescer e o ataque é fortalecer o consumo. Como? Melhorando o poder de compra das famílias, reduzindo as travas que o inibem.

Das quatro citadas, três (má distribuição de renda e tributária e excesso de tributação sobre o consumo) são mais difíceis e de longo prazo. Reduzir o custo do crediário é mais fácil, mais rápido e depende só do governo e não do Congresso, nem do Banco Central. Basta determinar que as instituições oficiais de crédito reduzam suas taxas de juros e deem publicidade ampla à população.

Para isso, devem capitalizar essas instituições para ampliar o alcance desejado. O setor financeiro privado ou passa a acompanhar isso ou perderá clientela e consequentemente seu lucro. Para complementar essa estratégia é fundamental reduzir os ganhos anormais de duas fontes de lucro dos bancos: a) com a Selic, baixando-a ao nível da inflação como se faz internacionalmente; e b) reduzindo e tabelando as escorchantes tarifas bancárias.

Isso levaria mais ainda os bancos a compensarem a redução de lucros levando-os a competirem no mercado de crédito. É o caminho viável e de maior alcance. Como efeitos colaterais se teria: a) redução da inflação e do nível de preços pela redução dos juros do crediário; e b) melhoria fiscal pelo crescimento da arrecadação via maior atividade econômica e redução da inadimplência, e menor despesa com juros pela redução da Selic.