Por Breno Altman no Facebook

Aos poucos vai se revelando toda a dimensão da farsa montada pela polícia do Rio contra os 23 ativistas que recentemente foram libertados. Entre outros truques, apoiar o processo sobre declarações de uma ex-namorada cheia de rancor é ultrajante.

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Está em curso, em São Paulo e no Rio, uma escalada de ataques às liberdades públicas. Provavelmente esteja vinculada à campanha eleitoral: Alckmin e Pezão devem imaginar que ganham pontos com discurso de mão dura contra protestos e “terroristas”.  Simpatizando-se ou não com os réus, o que está em jogo é a defesa das garantias democráticas e da Constituição.

Mas há outros aspectos a considerar. Vamos combinar que é desmoralizante para qualquer grupo político, ainda mais para os que se acham super-revolucionários, esse mar de delações por vontade própria, ex-namorada correndo para os braços da polícia, pedido de asilo no primeiro sufoco, quase nenhum preso respondendo dignamente à polícia um “nada a declarar”.

País bizarro. A altura do sarrafo para o comportamento dos super-reformistas, verdadeiros traidores do proletariado, é bem mais alta que a de seus críticos “pela esquerda”.

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David Capistrano, o pai, um dos chefes do ultra-reformista PCB, foi preso em 1974, na Casa da Morte, em Petrópolis. Depois de 30 dias, o comandante do DÓI-CODI carioca recebeu o informe dos interrogatórios com aquele homem de 60 anos. Um só parágrafo: “Meu nome é David Capistrano da Costa, sou membro do comitê central do PCB e não presto declarações ao inimigo de classe.” Seu corpo já estava despedaçado por torturas com um maçarico.

“Não se pode comparar pessoas e situações!”, muitos bradam. Foi o que disseram quando contei que José Dirceu, o mais odiado dos reformistas, tinha retornado duas vezes clandestino ao Brasil, e aqui permanecido por longos períodos, lutando, mesmo condenado à morte. Ou que tinha enfrentado seu atual processo e prisão de punho erguido.

Está bem, então. Mas então que fique combinado: os “super-revolucionários” têm que aprender a ser bem mais modestos e ponderados em suas críticas. Não podem botar banca de gente crescida na bonança e expor o álibi da juventude quando seu comportamento, na dureza, se revela bizarro.