Na última sexta-feira, dia 22/07, a Petrobrás anunciou a venda “compartilhada” da BR. Se concretizado, este será um golpe fatal para o Sistema Petrobras. Empresários e políticos corruptos sabem muito bem como jogar e enganar aqueles que lhes dão guarida às ideias ultrapassadas. A intenção política está explícita.

Eles vem tentando de tudo desde 2015. Primeiro, emporcalharam o nome da empresa criminalizando-a, quando na verdade o Sistema Petrobras e seus empregados foram as grandes vítimas tanto da especulação midiática quanto do grande ataque político forçado nos últimos dois anos, incluindo o PLS 131/2015 do senador José Serra (PSDB). Nunca nos enganaram. Estamos há quase dois anos alertando funcionários e a população sobre este fato.

Estas ações foram somadas ao preço do barril de petróleo que caiu drasticamente nos últimos três anos. Para se ter uma ideia, em 2014 o barril estava sendo comercializado a U$S 110, em Janeiro deste ano, chegou a extremos de U$S 29. Desta forma, articulando mídia e política, grandes grupos forçaram a destruição da imagem da Petrobrás. Isso serviu para se vender um discurso de que a Petrobrás estava acabada e tinha que ser vendida. Ora, uma empresa quebrada não mantém indicadores como os listados abaixo:

Impostos, Contribuições, Royalties e Participações para Estados e Municípios superiores a 100 Bilhões:

– Em 2013 – 106 Bi
– Em 2014 – 103 Bi
– Em 2015 – 110 Bi

Além disso, a Petrobras fez um Caixa de 37 Bilhões em 2013, chegando à casa dos 97 Bilhões em 2015 e pagou em 2015 entre juros e amortizações uma cifra que supera 28 Bilhões.

Cabe ressaltar que a manutenção do Sistema não é só importante para os funcionários da Petrobras, mas, é também para os Estados, Municípios e toda a população brasileira. O sistema Petrobrás é indutor do desenvolvimento em todo o país.

Foi a competência técnica dos trabalhadores (as) do Sistema Petrobrás que fez com que fôssemos capazes de ter o pré-sal e descobrir petróleo que durante anos várias empresas privadas e multinacionais não conseguiram descobrir.

Por tudo isso, o povo brasileiro não aceita a privatização da companhia. Não queremos que aconteça com ela o mesmo que foi feito com a Vale do Rio Doce.

As ações de corrupção feitas por um pequeno grupo de funcionários, fornecedores, contratados e políticos não representa os ideais e valores do maior conglomerado de empresas do Brasil. E a população sabe disso. Tanto que não aceita o esfacelamento da Petrobras.

Políticos, a grande mídia e, pasmem, até alguns funcionários da própria empresa vendem o seu fracionamento como algo positivo.  Sendo que no fim o que se vê é privatização da mesma forma. Criminalizam todos os funcionários, fatiam a empresa, quebrando assim sua representatividade no mercado e sua identidade com o consumidor. Já vimos isso antes na Light e Telerj, por exemplo.

Perdendo o controle sobre a BR, logo nossa marca será esquecida e, principalmente, perderemos a garantia de escoamento da produção das refinarias o que em pouco tempo, resultará no fim de todo o Sistema Petrobrás.

Vendem a TRANSPETRO e o Brasil perde a gestão sobre o transporte das nossas cargas, abrindo espaço para iniciativa privada intervir no setor.

Vendem a LIQUIGÁS e o país perde a distribuição de gás de cozinha inclusive nas áreas mais remotas do país, onde outras distribuidoras não tem interesse em ir.

Vendemos as malhas de gás e ficamos à mercê dos transportadores, que podem limitar nossa capacidade de transporte e aumentar consideravelmente o frete, prejudicando o consumidor final.

Já falam em vender as refinarias, abrindo capital a sócios entre outros golpes, todos em favor do Mercado Financeiro.

Desta forma, sem falar a palavra “privatização” os atuais gestores da companhia vendem bloco por bloco. Assim, pouco a pouco o Sistema acaba. Nesse cenário, o que está em risco:

  • Áreas mais remotas do país, principalmente no eixo norte-nordeste, que ficarão sem abastecimento de combustíveis, afetando, inclusive, as localidades que utilizam termoelétricas,

  • Sem ação do Estado, o combustível ficará mais caro e, por consequência, a luz, alimentação, eletrônicos, entre outros produtos, também ficam mais caros.

  • Coloca o abastecimento da segurança nacional nas mãos do capital estrangeiro, entre outros impactos que envolvem, inclusive, a infra-estrutura de Estados e Municípios (fornecimento de asfaltos e etc.).

  • O lucro que hoje é revertido em investimento no próprio Brasil, vai para as mãos do mercado estrangeiro.

Desta forma, mesmo com toda a explicação dada pela direção da Petrobrás, pelos políticos que estão no poder atualmente e por grande parte da mídia, sabemos que entrando um “parceiro estratégico” com 51% das ações que dão direito a voto, quem passa a ditar as regras é o mercado financeiro. Quem perde, tendo menos infra-estrutura, alimentação e empregos é a população brasileira.

De acordo com informações do Conjur, “Cerca de 90% das reservas petrolíferas do mundo pertencem ao Estado, sendo exploradas por empresas estatais, que controlam aproximadamente 73% da produção, atuando em regime de monopólio ou quase-monopólio sobre os recursos de seus países. O papel do Estado é central para a política energética em geral e, em particular, no setor de petróleo, servindo para coibir o poder econômico dos grandes oligopólios, garantir a exploração não-predatória das jazidas e defender o interesse da coletividade, além de atuar de forma estratégica, militar e economicamente, controlando o suprimento de petróleo e derivados.”

Isto exposto, se você não é um grande barão do petróleo mundial, não pode concordar com a legalização do roubo das nossas riquezas.

Não podemos aceitar que tirem do prato dos mais pobres e coloquem nos cofres daqueles que já estão bilionários.

Lígia Deslandes

Presidenta do SITRAMICO-RJ