Sei o quanto tem sido difícil para Dilma os últimos seis meses de Governo. Não está sendo fácil manipular as peças do xadrez da política e da economia com tanta gente jogando contra. Muitas vezes, na política é preciso ceder para avançar, todos sabemos disso, mas, o compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras que são aqueles que fazem de fato o Brasil crescer e melhorar tem que estar bem firme na mente de um governante de esquerda.

Dilma cedeu nos últimos seis meses ao mercado. Cedeu como não esperávamos. O que fazer para enfrentar tantos bombardeios de todos os lados. Fechou-se em copas num primeiro momento. Continuou a trabalhar incessantemente apesar de todas as críticas, xingamentos, julgamentos e problemas enfrentados. Nunca vi alguém enfrentar tanta violência e agressividade da oposição, da mídia e de vários segmentos da elite como Dilma tem enfrentado com tolerância e paciência. Sua resistência aos medíocres e grosseiros que o tempo todo querem atingi-la com xingamentos e torpezas é impressionante. Isso tem colocado a nu pouco a pouco seus detratores e muito mais está por vir a tona por aí.

Ouço Dilma dizer não de agora que no segundo semestre tudo irá se estabilizar, que a inflação irá abaixar e que a economia vai melhorar. Sinceramente, por mais que confie em Dilma, não confio em Levy, assim como não acredito em Bendine na Petrobras e em alguns outros que para mim foram colocados no Governo para acalmar o mercado de forma a que Dilma tivesse tempo de arrumar algumas coisas.

Espero que a estratégia tenha sido realmente essa e que seja de curto prazo. Não é bom para o país e para nossa economia a continuidade do EFEITO LEVY. Dilma tem condições de parar de ceder e pode retomar sua condição de liderança do anseios da população que confiou nela para garantir que o seu governo de fato faça as mudanças que o país precisa. Quem votou em Dilma não votou em medidas de austeridade neoliberais que não deram jeito no mundo e que estão acabando com a economia de vários países.

Estávamos indo muito bem antes do EFEITO LEVY começar a ser inoculado em todas as instituições públicas e estatais. Desmontes e fabricação de crises onde elas não existem. Cortes em investimentos necessários e importantes que não deveriam ser nem cogitados.

Li hoje no Facebook um pequeno artigo de Edo de Natal que reproduzo abaixo. O que existe no artigo dele é o óbvio que todos nós estamos vendo acontecer. Enquanto os rentistas e o setor financeiro se locupletam, nós da classe trabalhadora estamos pagando o pato. Não estamos cegos. Não queremos regressão social. O Brasil de Levy não é o Brasil que queremos.

Está cada vez mais evidente, as metas fiscais de luta contra a crise econômica escondem uma assombrosa e gigantesca transferência de renda das classes populares e do setor produtivo para os bolsos dos grandes rentistas e para os cofres do setor financeiro. Brasileiros e estrangeiros partilham o butim desta operação de rapina.

A primeira e mais evidente consequência desta política neoliberal de luta contra a crise econômica foi o aumento do desemprego e o início de uma violenta e dolorosa regressão social, com a inversão da tendência de diminuição das desigualdades sociais, promovida com sucesso desde 2003.

Vejamos. A primeira medida tomada por Levy foi um forte aumento da taxa básica de juros da economia brasileira, a panaceia utilizada pelos neoliberais tupiniquins para lutar contra todas as crises, independentemente de suas origens. Desde dezembro de 2014 até junho de 2015 houve um aumento de 2% na taxa Selic, passando de 11,75 a 13,75% ao ano, com o objetivo anunciado de lutar contra a inflação. Este forte aumento das taxas de juros, como veremos, não teve qualquer impacto sobre a inflação, mas provocou automaticamente um aumento dos juros pagos aos detentores da dívida pública de cerca de 49 bilhões de reais, anulando todo o esforço de contenção dos gastos públicos. O que está havendo é uma gigantesca transferência de renda para as instituições financeiras e rentistas em detrimento das classes mais populares e do setor industrial brasileiro.

A inflação no Brasil é provocada em grande parte pelas consequências da forte seca que assola as regiões mais desenvolvidas do Brasil, com o aumento dos preços dos gêneros alimentícios e, sobretudo, com a utilização intensiva das usinas térmicas, com um forte aumento das tarifas de energia elétrica que incidem em todos os setores da economia. Além da seca, os preços administrados (gasolina, telefone, serviços públicos, etc) são insensíveis à alta dos juros. O lógico seria diminuir as taxas de juros, como fizeram os Estados Unidos, a Europa e o Japão, para facilitar a retomada das atividades econômicas e minorar os sacrifícios de uma população já fortemente sacrificada.

A conclusão lógica é que o forte aumento da taxa básica de juros, além de promover a transferência de renda já citada, está contribuindo para o aumento da inflação, justamente o contrário do que é pretendido por Levy.