Revisito hoje um artigo que escrevi em novembro de 2013. Não à toa. Hoje é uma data importante para todos nós que temos na justiça um valor inestimável. Hoje a sessão do STF será presidida por Ricardo Levandowsky, já que o presidente se omitiu de fazê-lo, depois de ter sido duramente criticado por juristas de várias ideologias, artistas, intelectuais, sindicalistas e várias lideranças da sociedade civil em suas pretensões de continuar a praticar as ilegalidades que vem praticando contra lideranças do PT injustamente encarceradas por conta de sua conduta arbitrária, ditatorial e irresponsável.

Estamos falando mais uma vez da AP 470, que vem sendo mostrada desde 2005 de forma desonesta pela velha mídia apelidada de “Mensalão”, com o claro intuito de praticar o linchamento das lideranças do PT, jogar a sociedade contra o partido, criminalizando-o.  Sabemos todos como disse Hildegard Angel que essa ação nunca foi o que foi apresentado pela velha imprensa e pelo relator, antes foi sim um “Mentirão”.

Estou esperando, que o dia de hoje seja o início do fim. Do fim de uma era de perseguição aos nossos companheiros e que eles tenham o direito de finalmente, desenterrar e mostrar todas as provas de inocência que estão nesse processo que foram escondidas e mascaradas pelo presidente e relator que está saindo com a ajuda dos ex-procuradores da república, com a devida revisão do processo.

No capítulo da história do Brasil, essa será uma história que as gerações futuras e principalmente, os futuros juristas irão mostrar como a maior injustiça já praticada pela justiça brasileira. Mas, vamos ao texto.

Aqueles que me conhecem de fato sabem que minha vida nunca foi fácil. Poderia ter sido, mas, não foi. Escolhi caminhos que muitos dos meus não escolheram porque desde pequena sempre acreditei em alguns valores que me acompanham sempre: justiça, solidariedade, igualdade, democracia.

Me lembro nitidamente do quanto esses valores foram ressaltados na educação de meus filhos… Minha casa em São Gonçalo sempre esteve aberta a todos da comunidade. Nunca trancamos nossa porta, nem mesmo à noite. Para ilustrar isso quero lembrar um episódio onde uma pessoa da família chegou em nossa casa, num final de semana, abriu a porta e entrou e verificou que meus quatro filhos estavam em casa brincando sozinhos na sala. Eu tinha ido à padaria. Ela aproveitou logo para beijá-los e abraça-los e dar a eles uma caixa de bombons que trouxera consigo. Ficou admirada por encontra-los sozinhos e imaginou que quando eles vissem a caixa de bombons abririam rapidamente e comeriam tudo. Ledo engano! Deixaram a caixa fechada e argumentaram com ela. Deixe a mamãe e o papai chegarem para a gente dividir! Aqui em casa tudo é dividido… É injusto a gente comer tudo! E assim aconteceu.

E por que conto isso? Somente para ilustrar para alguns que acham que me conhecem… Por que me tornei sindicalista? Vi e passei por vários momentos de injustiça. Assim, não há porque ficarem assustados ou perplexos com a minha defesa aos condenados dessa farsa jurídica que se tornou a AP 470.

Nada na minha vida foi por acaso. Foram escolhas! Nem sempre as melhores para mim, mas, assumidas, e todas, absolutamente todas elas se deram em cima dos valores que mencionei acima. Justiça para mim é um “bem inalienável”. Jamais vou compactuar com Injustiça.

O processo da AP 470 que a mídia classificou como “Mensalão” para poder passar a ideia de propina paga a deputados possui erros jurídicos do começo ao fim. Quem diz isso são vários juristas de diversas tendências ideológicas. Não sou só eu…

A mídia aproveitou-se de Roberto Jefferson, um corrupto de primeira, e sua sede de vingança. Dirceu havia dito a Bob Jefferson que o PT é um partido que não rouba e não deixa roubar!”  como resposta a algumas benesses que ele pediu.

Dirceu havia mexido com a mídia distribuindo a publicidade legal do Governo para vários veículos, tentando democratizar e ter um pouco mais de justiça na distribuição dos serviços de publicidade. A mídia corporativa logo entendeu que Dirceu representava a ruína dos seus interesses mercantilistas e de poder. Não queriam de jeito nenhum que José Dirceu tivesse os louros pelos muitos dos projetos que estava ajudando Lula a construir. Era preocupante! O próximo candidato a presidente da república poderia ser Dirceu.

Era preciso destruir o Governo Lula, o PT e colocar toda a “corja” porta afora… Foi então que Bob Jefferson foi chamado para, em nome de sua vingança, colaborar com a farsa. Aproveitaram a ideia do verdadeiro mensalão, o do PSDB, de Azeredo que foi denunciado em 1998 com provas contundentes contra políticos do PSDB, DEM e outros, e armaram a peça jurídica.

Bob Jefferson denunciou Dirceu e essa foi a única prova que existia contra ele. Assim, por saberem frágil a acusação tinham que encontrar alguém que pudesse ser o bode expiatório para criminalizar todas as lideranças do Governo e chegar em Lula e no PT. Usaram Pizzolato e forjaram a acusação dizendo que ele era responsável pela prorrogação do contrato com a empresa DNA de Marcos Valério para dar dinheiro para o PT comprar deputados.

Como eles conheciam bem o esquema, por experiência própria, usaram e abusaram disso para engendrar através dos dois PGR´s Antonio Fernando e Roberto Gurgel junto com o ex-procurador do MP que virou juiz do STF Joaquim Barbosa a falsa tese de venda de votos. 

Construíram o pilar da tese condenatória e fatiaram o processo para poder colocar 40 réus de forma ilegal (numa alusão nojenta a Ali Babá e os 40 ladrões) para serem julgados no STF tirando deles a condição de passarem por todas as instâncias judiciais (duplo grau de jurisdição) como seria o normal para que todas as provas pudesses ser analisadas e o direito ao contraditório fosse dado.

Apesar de todas essas ilegalidades, os réus acreditaram que teriam um julgamento justo. Apresentaram todas as provas da inocência. Documentos que provam que Pizzolato não era responsável por nenhuma prorrogação de contrato com a DNA, milhares de documentos e depoimentos de pessoas que atestam que o fundo Visanet (privado) patrocinou eventos com a sua marca junto com a marca do Banco do Brasil e pagou por isso à Globo e outras concessionárias que prestaram serviços de publicidade dessas marcas. 

Muitos desses eventos nós vimos acontecer, tais como patrocínio dos jogos de vôlei, natação, eventos sertanejos, festas de ano novo no Rio e até, pasmem, um seminário jurídico com a presença de milhares de juízes, entre eles Joaquim Barbosa. Já viram tamanha canalhice? Barbosa sabia disso e a mídia sempre soube. Armaram tudo! 

As defesas dos réus apontaram tudo isso e viram um a um de seus milhares de argumentos serem ignorados e manipulados por alguns juízes do STF. Muito tarde foram entender que não se tratava de um processo jurídico normal, mas sim uma trama política muito bem engendrada e articulada.

Tudo isso vem sendo exposto e denunciado na internet há alguns anos, mas, durante oito anos a sociedade foi exposta de forma torpe a uma campanha midiática em jornais, revistas e TV para emporcalhar a reputação de todos esses companheiros.

Vários apelidos foram criados para deixar a trama mais robusta (o termo PTralhas, por exemplo). A falácia de pseudo-jornalistas atrelados a ideologia mercantilista e colonialista de seus patrões covardes. Lula só foi poupado por que esses companheiros se imolaram pelo projeto de governo que estava sendo construído.

Alguém em sã consciência poderia imaginar que eu, sabendo de tudo isso, poderia ficar calada? Fiquei e continuo indignada e revoltada! E pensar que muitos companheiros de luta sindical ainda são tão ingênuos, influenciáveis e preconceituosos com a política e se apegam as estruturas que vivem sem conhecer ou viver as lutas reais e verdadeiras da sociedade. Só pensam em negociação de acordos e convenções coletivas o ano todo. Não conseguem ver na cidadania também um papel a ser exercido pela representação sindical. 

A luta da classe trabalhadora no Brasil não pode prescindir da luta política que é muito mais ativa do que passiva. É nela que construímos a força para a mudança na sociedade. Conclamo a todos que sejamos mais companheiros de uma vez por todas. A INJUSTIÇA que se faz a um ou mais companheiros é a INJUSTIÇA que poderá ser feita com todos.

Não se iludam! Estamos todos no mesmo barco… Mais uma vez a escolha, comandar o barco ou naufragar. Como sempre fiz a minha escolha! Estou do lado da JUSTIÇA! Quero Pizzolato, Delúbio, Genoíno e Dirceu livres! Como quero toda a classe trabalhadora desse Brasil sendo tratada com respeito.