No Wikipedia a palavra Trabalhador é definida como um termo amplo que inclui todo aquele que vive do seu trabalho, incluindo nesse termo o escravo, o servo, o artesão e o proletário.

Posteriormente, na sociedade moderna e urbana a palavra ganhou uma outra conotação sendo o termo considerado como todo aquele que realiza tarefas baseadas em contratos, com salário acordado e direitos previstos em lei.

Mas, quem é esse trabalhador hoje diante de tantas mudanças sociais, tecnológicas e principalmente, liberais e capitalistas? Quem é esse trabalhador diante do retrocesso imposto pela Reforma Trabalhista do Governo Golpista de Temer e seus aliados? Quem é esse trabalhador que vive no Brasil onde suas condições de vida lhe são impostas pela sociedade escravocrata, racista, patrimonialista e violenta?

O conceito de trabalho no Brasil até hoje se confunde com o conceito de escravidão. Podemos ver isso tanto em empresários (empregadores) como nos empregados (trabalhadores), pois, há um misto de submissão, imposição e violência que se espraia nas relações de trabalho.

O Brasil entrou no sistema capitalista sem superar o modelo escravocrata e feudal. Isso vem refletindo em nossa economia e no modo como fazemos política. Somos a sociedade do: “Desculpa qualquer coisa”, “Bom dia, Patrão”, entre tantos outros termos que usamos no dia a dia que revelam o modelo que subverteu nossas mentes.

Nos últimos anos, diante de tantas transformações na sociedade impostas pelo sistema capitalista, vimos as relações de produção criarem uma acumulação desmedida de poder por parte de grandes empresas internacionais e transnacionais com a formação de oligopólios que mandam no mundo.

Quando Marx falava sobre as relações de produção ele foi exemplar em mostrar como isso se daria se não superássemos o sistema capitalista. No caso do Brasil, nosso capitalismo tardio vem junto com uma cultura  social escravista, machista, racista, reacionária e anacrônica.

No modo de produção capitalista a percepção do antagonismo que existe entre os que possuem os meios de produção (classe economicamente dominante) e os que possuem apenas a própria força de trabalho, é encoberta por relações meramente materiais. Assim, a subjetividade e a liberdade dos homens é reduzida e submetida aos desejos e vontades do capital. A ideia de liberdade é imposta por ele. Diante do fetiche do capital os homens se tornam escravos dos produtos/serviços que eles mesmos criaram. Sua subjetividade é determinada antes de tudo, pela lógica da circulação capitalista, do lucro e da exploração/subserviência do outro.  A razão de ser do capitalista é a expansão do capital, daí sua sede e paixão pelo enriquecimento e acumulação de cada vez mais valores. Seu bolso, é o ponto de partida e o ponto de retorno do dinheiro. O individualismo é o cerne desse discurso, onde a coletividade não tem vez.

Como então reprovar homens e mulheres trabalhadores que, subjugados pelo controle capitalista, se vêem na necessidade de preservar suas condições de vida e de subsistência tornando-se microempresários, empreendedores, autônomos, entre outras formas de submissão criadas pelo sistema para que eles possam preservar seus parcos rendimentos?

E diante dessa realidade como devemos nos comportar, nós que estamos no movimento sindical e nos movimentos sociais e de esquerda? Xingando os trabalhadores por se comportarem egoisticamente se preocupando somente com seu cotidiano? Agir com eles segundo a ótica punitivista e cruel do sistema capitalista que separa as pessoas e as torna tão somente mercadorias? Ou trazê-los a reflexão, de forma firme e amorosa, entendendo seus problemas e dificuldades, acolhendo-os, mas, também mostrando-lhes a necessidade de união no coletivo para que juntos possamos lutar contra todas as injustiças e desigualdades? O que podemos oferecer para os trabalhadores de forma a que eles tenham esperança e se sintam mais seguros e mais acolhidos? 

Se pudemos melhorar as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores brasileiros durante os governos do PT, por outro lado, não conseguimos fazer mudanças estruturais na economia, na educação, na cultura, nas comunicações e na política brasileira de forma a superar a tremenda desigualdade existente em nossa sociedade.

Não fomos também capazes de alterar um milímetro das benesses e  privilégios de todos os poderes da república, a começar pelo poder judiciário, que é o mais reacionário e corporativista de todos, tendo por princípio a perpetualidade no poder, diferente do Executivo e do Legislativo que, ao menos, sofrem o escrutínio do povo, através das eleições, mas, que também deveriam sofrer mudanças na estrutura de remunerações e de privilégios recebidos.

O que os trabalhadores sabem sobre isso? Conseguimos nos comunicar de forma eficaz com eles? Nós temos noções reais do quanto a política é necessária para mudar a sociedade? E os nossos trabalhadores e trabalhadoras nas bases? Que tipo de informação transmitimos a eles? Que debate fazemos? Temos medo do diálogo, da conversa esclarecedora?

Não podemos ter medo ou insegurança para tratar de todos os temas da política junto aos nossos trabalhadores e trabalhadoras nas bases em que atuamos. O sindicato deve ter autonomia em relação a política partidária, mas, não pode deixar de utilizar as instâncias partidárias para travar as lutas contra desigualdade social, pela democracia, por melhores condições de vida e de trabalho para os trabalhadores e trabalhadoras.

Como podemos ter trabalhadores e trabalhadoras conscientes se não fazemos nossa parte no que tange ao diálogo sobre a política e a sua influência na sociedade? Como tratar de tantos temas que nos atingem diretamente no cotidiano de nossas vidas se fugimos ao debate sobre eles?

É preciso ouvir, saber entender as mágoas, as revoltas, a indignação, o descrédito e dialogar. Temos que ser mensageiros da esperança e de uma vida melhor. Afinal, não queremos isso também? Só no coletivo vamos avançar. E precisamos avançar. E avançaremos, de todo jeito, avançaremos…

Nosso querido presidente Lula afirmou antes de ser sequestrado pela operação Lava Jato em Curitiba disse: “Não adianta tentar acabar com as minhas ideias, elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las. Não adianta parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês. Não adianta achar que tudo vai parar o dia que o Lula tiver um infarto, é bobagem, porque o meu coração baterá pelos corações de vocês, e são milhões de corações.”

Um país justo se constrói com pessoas justas! Um país digno se levanta com pessoas dignas! Todos merecem a oportunidade de viver num país que se preocupa com seu povo! Um país de todos! Um país para todos!

É pelo coração que conseguiremos caminhar juntos. É pelos nossos sonhos que conseguiremos fazer o que é preciso fazer para transformar esse país. Somos maiores e melhores do que aqueles que equivocadamente defendem o lucro, o extermínio e a morte. Somos muitos! Vamos vencer essa guerra…