Esse desabafo foi copiado da página do Facebook do Acupa Alemão. Um desabafo e uma certeza, a discriminação da mídia e da classe média para com mortes diferentes.

Assim que vi os dois episódios tratei de colocar no Google para ver as notícias. Sobre um inúmeras reportagens, fotos, indignação. Sobre o outro nada. Pequenas inserções sempre com a conotação de que a polícia estava cumprindo seu dever e matou quem tinha que matar.

Será que um médico é melhor que um pescador e uma criança? Podemos dizer que existem diferenças nas mortes nos dois casos relatados abaixo? Vale mais a morte de uma pessoa na zona sul do Rio do que numa comunidade?

A discriminação, o racismo, o fascismo acontece com os moradores das periferias e comunidades do Rio de Janeiro não é de hoje e não causa indignação a nenhum desses que protestam contra assassinatos em Ipanema.

violencia

Vivo dizendo a mim mesma que quando esse povo da periferia e das favelas resolver mostrar toda a sua força e descer de suas comunidades em peso para protestar, tendo em vista as injustiças que são cometidas contra eles todos os dias sem a mínima preocupação das autoridades que deviam protegê-los e não assassiná-los, todos que vivem nas grandes cidades irão ter medo. Eles serão muitos e nada irá pará-los em sua indignação justa. E eu irei me juntar a eles.

O preconceito, a discriminação e o egoísmo é que comandam a elite e seus asseclas. Em pleno século XXI vivemos a luta de classes de sempre. Vejam o relato.

Na noite de ontem, um ciclista pedalava em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, e segundo relatos, ele foi abordado por dois assaltantes que além de levarem sua bicicleta e alguns pertences, deram duas facadas no mesmo, o ciclista foi socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e veio a falecer.

É muito triste casos desse tipo, e eu gostaria de não ver mais situações como esse se repetindo. O ciclista em questão era Jaime Gold, Médico Cardiologista e morador de Ipanema, ainda assim é triste a morte de uma pessoa, independente do seu status social, mas o que eu quero abordar nesse texto são os diferentes pesos que se tem uma morte na favela e uma morte em um dos IPTUs mais caros do Brasil.

No dia anterior à morte desse ciclista, foi realizada uma operação na comunidade do Dendê, na Ilha do Governador, nessa operação um pescador de 23 anos e uma criança de 12 foram mortos à tiros, por um policial que confessou ter atirado nos dois.

No caso do Ciclista, Médico, Branco e morador de Ipanema toda a classe média se comoveu, os apelos tomaram as redes sociais, a principal emissora do País dedicou 10 minutos de seu jornal local à cobertura da morte do mesmo, exibindo entrevistas dos moradores que não suportam mais os frequentes furtos e assaltos que ocorrem por ali, no dia anterior, no caso das da criança e do pescador que foram mortos, a notícia não passou de um breve comentário do tipo “Duas pessoas foram mortas na operação, que apreendeu máquinas caça-niqueis e foi considerada um sucesso pela polícia” além de mostrar os “Vândalos que confrontaram a polícia como retaliação à morte dos dois moradores”, essas duas mortes foram “marteladas” nas redes sociais e na mídia? Não, por que? Porque uma morte na favela é “Normal”, “Tem que acontecer.”, “Foi só mais um.”

Podemos tirar disso a velha conclusão, de que quando o ‘Castelo’ é ameaçado a Burguesia entra em pânico, e grita aos quatro cantos o quão perigoso está o reino, pedindo reforço dos soldados reais, mas quando a morte é no ‘Feudo’, os plebeus são substituídos de maneira tão rápida que sua ausência não é sequer notada!

Tomei a liberdade e adaptei uma frase do Stalin para a realidade Atual:  “A morte de um Rico, é uma tragédia, a de um Pobre, uma estatística.”