Vi um filme esses dias onde uma estudante de antropologia resolveu se empregar como babá de uma criança que morava num bairro rico, onde todas as mulheres tinham babás. O filme foi bastante interessante para mostrar um lado que normalmente não vemos,  e que explica o porque tantos jovens de hoje são fascistas e pobres de humanidade e de onde vem o desprezo e desrespeito pela sociedade e por aqueles que não fazem parte de seu mundo.

Pobres crianças ricas… Pobres jovens alienados… Do que são feitos?

O mundo capitalista vem fazendo suas vítimas, muito mais entre os pobres, excluídos e despossuídos, mas, também entre os ricos e abastados. A pobreza de espírito além de ter classe social tem natureza subjetiva que é resultado da cultura e educação das pessoas. Paulo Freire já dizia e estava certo: “Os homens aprendem em comunhão!” Mas, que comunhão é essa? Quando o coletivo não é tão importante quanto o que o indivíduo quer ganhar somente para si, que sociedade é essa?

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Vejo muita gente fazendo discursos que já viraram chavões, dizendo da necessidade do Brasil ter saúde e educação de qualidade e gratuita para todos. Não discuto que o dinheiro dos impostos que pagamos de fato, deveriam estar a serviço desses bens inalienáveis ao futuro da nossa sociedade. O dinheiro dos impostos é para isso mesmo e não me importo de pagá-los. Vejo tantos reclamando disso, sonegando e dizendo que o dinheiro dos impostos não é transformado em benefício da sociedade. Será mesmo?

Recentemente, no Governo Dilma conseguimos separar um percentual bastante alto dos lucros do pré-sal para a educação e saúde. Se verificarmos o quanto foi disponibilizado de recursos para saúde e educação, veremos o quanto eles cresceram substancialmente de 2003 para cá. Não temos mais como reclamar de dinheiro que o Governo Federal coloca à disposição dos Governos Estaduais e Municipais para cuidar da saúde e da educação. Cabe a nós fazer a fiscalização nesses governos para que os mesmos gastem seriamente os recursos e que tenhamos escolas bem equipadas, hospitais bem equipados, professores e médicos bem remunerados.

No entanto, e apesar de tantos recursos que são colocados à disposição, ainda estamos longe de ser uma sociedade melhor, mais próspera e mais fraterna… Sim, porque se por um lado temos mais recursos à disposição dos Governos, temos muitos que ainda desperdiçam esses recursos. Temos uma sociedade que continua violenta, racista, sexista, oportunista. Temos pessoas que são muito mais consumidoras que cidadãos. Temos homens mais machos que homens! Temos jovens violentos que matam e agridem por qualquer contrariedade que lhes seja feita!

Temos indivíduos em nossa sociedade que só sabem reclamar e criticar. Nada fazem pelo coletivo e nem querem saber de lutar para aprimorar aquilo que é feito pelos governos, muito pelo contrário. Querem tudo à sua mão sem fazer nada por isso e se não tem, vandalizam… Isso deveria preocupar e muito a todos nós…

Temos uma população que está se escolarizando rapidamente, mas, uma boa escolarização basta? Dá conta de nossos problemas? Sim, nossa sociedade está se escolarizando cada vez mais, mas, as perguntas que tenho me feito é a seguinte: “Que educação estamos tendo?” “Que valores estão sendo passados às gerações?”  “Que formação simbólica está sendo captada pelas crianças e pela juventude sobre o que acontece no país?”

Realmente, é difícil construir caminhos possíveis com a natureza continental de nosso país e sua diversidade. Mas, fica mais difícil ainda quando não conseguimos aprender das lições da história que tanto nós já tivemos como as que o mundo está nos mostrando… As crianças e jovens vem tendo uma “educação bancária”, como denominou Paulo Freire em suas pesquisas. A educação colocada nas escolas se tornou um processo de escolarização que não incentiva as pessoas a pensar e nem a refletir sobre si mesmas e sobre a coletividade. Isso, em todo o mundo.

No Brasil, a ditadura formou legiões de professores sem conhecimento de história e geografia do Brasil e da América do Sul. Desestimulou debates sobre política e sociologia nas escolas de ensino médio e nas universidades. O povo mais pobre só começou a ter acesso à universidade agora nos governos do PT.  Mas, qual o material histórico e social e principalmente, o material simbólico que pode ser oferecido até mesmo para esses alunos, se só agora, com muito vagar, estamos ainda desvendando crimes da ditadura e não tivemos punição para ninguém? O que podemos ensinar as próximas gerações se a injustiça continua institucionalizada pelo judiciário e pela polícia?

Fala-se de desmotivação e desmobilização com a política. Estamos vendo esse fenômeno no mundo. Governos de esquerda sendo trocados por governos de ultra direita, conservadores, nazistas. Jovens sendo pagos para criar confusões e vandalizar os governos de esquerda para que golpes de Estado se instalem. Violência e ignorância exacerbada!

Alguém está pensando a respeito desses fenômenos com seriedade? Quais os rumos estão sendo tomados pela educação no Brasil? Só escolarização ao final de alguns anos vão nos levar onde?

Paulo Freire nos dizia que para que a transformação social ocorresse oprimidos e opressores deveriam assumir o opressor que existe dentro de si e combatê-lo. Afinal, nossa colonização e nossa formação histórica e social foram eivadas de opressão e violência que nos tirou a capacidade de conduzir nossos rumos através do conhecimento que já tínhamos, antes da exploração comercial e cultural que sofremos.  O eurocentrismo e o capitalismo nos conduziu ao que somos hoje, uma civilização neurótica e violenta.

Pois bem, o que estamos fazendo para garantir que as novas gerações e até as atuais tenham consciência da necessidade de mudança? É o que me preocupa e me angustia… E o que me faz escrever sobre isso.