Comentário de Sergio Amaral no Facebook

Não sei se todos nós estamos percebendo a crise politica que se instaurou nesse país após a abrupta proibição do financiamento empresarial de campanhas partidárias.

É uma crise política que atinge especialmente os partidos de oposição e com a qual a direita nem sonhava enfrentar. Pensavam que com o tripé Cunha-Gilmar-PSDB a corrupção estaria definitivamente institucionalizada no Brasil e que aqueles que não haviam ainda sido descobertos pela polícia poderiam continuar a roubar, que aquelas empresas às quais eles serviam submissos poderiam finalmente governar o país com legitimidade e em proveito próprio, que a plutocracia estaria devidamente reconhecida como uma forma de governo constitucionalmente garantida.

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Mas, agora tudo mudou e os caixas estão vazios. Se esvaziaram na campanha golpista (que ainda não terminou) e vão permanecer vazios por algum tempo, já que o dinheiro tem de vir agora de uma fonte bastante desconhecida para eles ainda: a militância de seus filiados.

Os partidos de direita nunca se preocuparam em formar base de militância, pois sua preocupação sempre foi a de arrebanhar eleitores usando serviços terceirizados para panfletagem, porta-bandeiras e carreatas, financiados pelas empresas que comandavam o show.

Não apenas os partidos de direita não tem a quantidade de militância que agora será exigida para uma campanha eficaz como também essa pequena militância não é qualificada, não tem a cultura de doação de tempo, trabalho, motivação e principalmente dinheiro para produzirem a encenação eleitoreira com a qual estes partidos se acostumaram a produzir em época de eleições. Pela primeira vez na história esses partidos de direita terão de construir bases reais de sustentação.

Já os partidos de esquerda historicamente se definiram a partir de bases reais, em diálogo e luta, em participação ativa de seus filiados e treinamento de sua militância e, principalmente após essa campanha ininterrupta de defesa da legalidade, do pré-sal, contra o golpe e crítica à infiltração no governo de políticas neoliberais, a base de apoio democrática ficou muito mais unida, muito mais bem informada, muito mais motivada à luta e à discussão da realidade, muito mais engajada na política e disposta a contribuir com o crescimento da esquerda.

A verdadeira política começa agora, e a esquerda sai em disparada vantagem!