Por Leandro Scala no Facebook

As “manchetes” dos sites de notícias da grande mídia é o exemplo do exercício ficcional que se tornou o jornalismo brasileiro. O governo “recuou” de uma decisão que não havia tomado, sobre elevação das alíquotas do imposto de renda. Com isso, a mídia produz um factoide político que ajuda o governo. Na falta de notícias boas, inventa-se uma notícia ruim que depois é “cancelada”. A questão dos impostos, porém, não é debatida. Os jornais colhem alguns lugares comuns da boca de lideranças políticas , empresariais e sindicais, e o assunto é enterrado.

A imprensa nacional mantém o cidadão brasileiro absolutamente desinformado sobre o que acontece no resto do mundo. É evidente que um governo sem legitimidade não pode elevar impostos. Esse é o problema central. Mas é preciso mostrar ao brasileiro como fazem outras nações.

Ora , não se admite sequer que se façam estudos sobre a questão tributária no país? Como assim? A questão tributária, que deveria ser o assunto mais debatido pela população, é deliberadamente abafada pela imprensa que se diz “livre” e “independente”. Para eles é melhor mesmo iniciar outra etapa da Lava Jato.

Hoje em dia , as informações são fáceis de obter. Basta consultar o Google. É o tipo de informação que vale a pena ver no Wikipédia, por exemplo: um ranking internacional, por país, do imposto de renda, com colunas para alíquotas máximas. Aí você verá que os países mais ricos do mundo, como Inglaterra, Estados Unidos, Suécia, Alemanha, França, Canadá, Áustria, tem alíquotas máximas bastante elevadas.

No Brasil , a alíquota máxima é de 27,5%. É uma das mais baixas do mundo. O consumo, por outro lado, tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, de 17% a 25%. É a maneira que os ricos do Brasil encontraram de transferir a carga para o lombo dos mais pobres.

Entretanto , como pode o governo vir agora falar em elevação de tributos , se ele acaba de conceder isenção e perdão tributárias de dezenas de bilhões de reais para latifundiários?

Há ainda a questão dos impostos que incidem sobre lucros e dividendos das empresas. Esse é outro assunto proibido na imprensa brasileira.

O Banco Mundial oferece um banco de dados bastante completo sobre carga tributária média nos principais países, incluindo num só cálculo todos os tipos de impostos e tributos aplicados a renda, lucros e ganhos de capital.

Entretanto, um movimento de recuperação fiscal no Brasil só teria sentido se houvesse um debate sério, transparente, plural, sobre a questão tributária.

Para isso, precisaríamos de uma imprensa democrática, o que não temos. A “nossa” imprensa serve para omitir, mentir, esconder dados, de maneira a impedir que os brasileiros consigam debater as questões fundamentais da democracia com um mínimo de autoconfiança.