É impressionante o desconhecimento de muitos brasileiros sobre a economia do país. Os discursos sem noção daqueles que se aboletaram através do golpe em Brasília mostram que esse golpe foi feito para provocar o genocídio no povo pobre e estancar todos os movimentos de investigação da corrupção de empresários, banqueiros, donos de TV, ruralistas e políticos envolvidos com essa gente mesquinha e torpe.

Mas, para dar uma adormecida no povo para não deixá-los ver o que está ocorrendo de verdade, criam mentiras, factoides, vendem sentenças, manipulam  e fraudam documentos contra todos aqueles que defendem o povo pobre e que também criaram os mecanismos de investigação e punição contra as canalhices e roubalheiras que eles sempre fizeram com dinheiro público. É uma vingança e ao mesmo tempo uma defesa jogar a culpa do que eles fazem na esquerda, nas lideranças do PT e em Lula por terem criado as condições de combatê-los. 

São esses que, a partir do texto de Gustavo Nascimento Landim, nós desmascaramos. Vejam o que eles dizem sobre a necessidade que o Brasil tem de taxar seus ricos: “Se taxarem os ricos, eles vão embora e isso vai gerar desemprego.”

Sério? Vamos lá… Quando falamos de taxação de grandes fortunas nos referimos a taxar (cobrar impostos) as 10.000 famílias mais ricas do país. Sabe quem gera a maior taxa de empregos formais na nossa economia? As pequenas e médias empresas (70%) cujos proprietários não pertencem a essas 10.000 famílias.

Mas, levando em consideração que essas famílias saiam do Brasil, elas vão entrar em um grande dilema. O Brasil percentualmente é o país que menos taxa os ricos dentre as 20 maiores economias mundiais (dados do próprio G20). Então vamos supor que eles vão viver fora e investir o seu dinheiro no mercado financeiro. Sabe quais os únicos países do planeta que não cobram impostos sobre lucros e dividendos? Brasil e Estônia (dados da OCDE).

Se quiserem ir para o EUA vão pagar uma taxa de 20%, se forem para o Canadá 30%. Mas, então, vamos levantar a hipótese de que esses ricos vão investir no sistema produtivo procurando competir no mercado com as empresas já existentes no país que ele for escolher.

Se ele escolher ir para a Europa vai se deparar com uma legislação trabalhista protetiva que ele tanto demoniza (O Estado de Bem Estar Social domina o continente), se for pra Ásia vai ter que investir muito para competir com um alto grau de sofisticação tecnológica que eles lá possuem (sem um BNDES bancando esse investimento) e na América do Norte além do Alto grau de sofisticação ainda são avessos a empreendedores “não nacionais”.

Bem, ele pode ir para um país onde a taxação seja baixa e não exija um alto grau de sofisticação no setor produtivo. Pode ir para a Somália. O problema é que a economia de países como a Somália tendem a viver de agricultura e mineração. A mineração é toda explorada pelas multinacionais de grandes potências. Se for investir no mercado de bens de consumo vai bater em outro problema, a população é demasiadamente tão pobre que não vai existir mercado consumidor interno.

É, acho que vai ser melhor ficar no Brasil mesmo com tributação de fortunas. Pelo menos se for investir no setor produtivo tem um BNDES financiando e um mercado consumidor razoável. Se decidir ser parasitário, será taxado, mas, está em um país onde as taxas de juros costumam ser altas e lucrativas, o que faz com que ainda que havendo tributação é vantajoso ser rentista.

A financeirização do Brasil que ganhou proporção ainda mais abusiva nesses últimos dois anos de golpe em detrimento do investimento na produção e em melhores condições de vida para a sociedade traz prejuízos para todos. 

A sociedade clama por tributação das fortunas e por justiça tributária. É uma pena que a classe média tenha dado um tiro no pé com o golpe. No Governo Dilma Roussef do PT a bancada de deputados tinha uma proposta que estava sendo negociada para fazer justiça tributária no país em relação as alíquotas do Imposto sobre a Renda, muito mais justa com os pobres e com a mesma classe média que gritou a favor do impeachment, taxando os ricos como acontece em outros países. Veja como era a proposta naquele momento.

Proposta das Alíquotas do Imposto de Renda construída em 2015 pela Bancada do PT

Até 3.390,00 – Isento
3.390,01 até 6.780 –  5%
6.780.01 até 10.170 – 10%
10.170,01 até 13.560 – 15%
13.560,01 até 27.120 – 20%
27.120,01 até 108.480 – 30%
A partir de 108.480,01 – 40%

Ao visitar o site do Senado, nos deparamos com o Projeto de Lei nº 517/2015 que atualmente está sendo relatado pela Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). 

O Projeto de Lei nº 517/2015, é aquele de 2015, de autoria do ex-senador Donizeti Nogueira (PT-PI), apoiado por toda a bancada do PT. Ele é terminativo e, se for aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos, não precisará ser ratificado pelo plenário do Senado, seguindo diretamente para a Câmara caso nenhum senador apresente recurso. Se for referendado pelos deputados e sancionado pelo atual presidente, as mudanças irão valer para 2019. As atuais autoridades econômicas e o presidente golpista tem repetido falácias e mentiras sobre o projeto. Para eles taxar ricos e fazer justiça tributária é inimaginável. 

É por isso que temos alertado sempre, além do presidente da república, precisamos eleger deputados e senadores realmente comprometidos com a classe trabalhadora que irão lutar pela justiça tributária no Brasil e por medidas que tragam melhores condições de vida para povo brasileiro. Só assim propostas como essa podem ser aprovadas e/ou melhoradas. Temos que estar de olho vivo e em luta constante pelos nossos direitos! Não podemos descuidar um só minuto. Há muito por ser feito para livrar o Brasil da desigualdade. Depende de nosso engajamento e participação social.