Quem acha que política se faz com a força bruta e com xingamentos está na contramão da democracia. Pois é! Tem muita gente dissimulando por aí que é democrata, que respeita as leis, arrotando uma suposta identidade democrática e fazendo justamente o contrário.  Falam uma coisa e fazem outra! O discurso é diferente da prática!

Outra coisa que essas mesmas pessoas apregoam é que política não presta e que todo mundo que se mete em política é ladrão, safado ou quer tirar proveito de alguma coisa.  Dizem isso escondendo seus interesses econômicos e de classe.  Mais uma vez a dissimulação e a manipulação. Vemos isso na mídia corporativa. Vemos isso em alguns políticos, em artistas, jogadores de futebol, pessoas que tem projeção social e não são exemplos do que apregoam para os outros.

O ideal é que as pessoas consigam perceber e tenham cada vez mais consciência de que todos nós fazemos política, de uma forma ou de outra. A sociedade não cresce sem que as pessoas que fazem parte dela não se envolvam de forma cidadã nos problemas que ocorrem a todo momento na vida coletiva. E vejam, muitas vezes esses problemas poderiam ser resolvidos rapidamente pelo diálogo franco e aberto.  Política é a arte do diálogo.

Quero o Brasil consciente da necessidade dessa mudança. Temos que ter participação ativa da sociedade cada vez mais nas decisões a serem tomadas a respeito das políticas públicas necessárias para a população e as prioridades nos investimentos necessários para isso.

Assim, reproduzo aqui, abaixo, o texto de Roniel Sampaio do site Café com Sociologia, que esclarece alguns pontos nesse sentido.

“A palavra democracia, no contexto moderno, está sempre em voga. Ela está associada a um imaginário social tão positivo que dificilmente você vai encontrar uma pessoa que diga abertamente “sou contra a democracia”. Todavia, se é algo tão bom assim e todos concordam ela, por que é tão difícil de implementá-la?

Inicialmente, é necessário debruçar-se sobre o conceito de democracia. Inicialmente podemos conceituá-la genericamente como: “Tradição política que pauta-se na soberania popular exercida por efetiva participação social confrontadas por argumentos racionais”. Assim sendo, confronto é sinônimo de democracia? Não necessariamente, porque democracia é sobretudo diálogo. Mesmo com toda essa complexidade conceitual sem essa simples palavra, não há base sólida para democracia.

Antes de pensar a nível das instituições, vamos pensar no plano das microrrelações. Você e seu colega, por exemplo, são políticos independentemente de terem cargo político ou não. Obviamente vão divergir em algum momento porque têm diferentes interesses e opiniões, e isso pode levar a um confronto político.

Há duas maneiras de resolver tal confronto:

1- pelo conflito pessoal;

2- pelo diálogo consensual.

Pelo conflito pessoal as ideias vão ficar num plano secundário e a discussão vai partir para difamação pessoal, as vezes de maneira indireta na forma de “fuxico” e de “fococa”. Além disso, o problema não será resolvido e as tensões serão aumentadas.

Pelo diálogo racional consensual, a crítica vai ser direcionada no plano das ideias com argumentações lógico-racionais até que se chegue num encaminhamento prático. Pode até haver confronto, mas das ideias e não das pessoas. Entretanto, esse confronto, para ser democrático, deve ser mediado obrigatoriamente e fundamentalmente através do diálogo racional, que através do qual levará a uma contribuição, seja uma solução ou um aprendizado.

Atire a primeira pedra quem nunca se deixou levar pelo primeiro exemplo, o que é um descaminho que nos afasta da democracia. Porém, a mesma mão que ora apedrejou ao outro pode, juntamente com o outro, fomentar a pedra fundamental do diálogo.

Democracia exige diálogo, diálogo exige maturidade, esta por sua vez, exige racionalidade. Portanto, já dialogou com as pessoas ao seu redor? Discorda das opiniões, das administrações e das posturas políticas no nosso país? Já procurou as pessoas responsáveis para dialogar para através disso chegar a um encaminhamento?

Se sua opção for o conflito pessoal, na democracia isso te faz um dos principais prejudicados. Se não buscarmos a pedra fundamental da democracia, que é o diálogo toda a estrutura ficará comprometida e os todos escombros cairão sobre nós.”