Não vou para Porto Alegre comer churrasquinho e beber cerveja no meio de ruas trancadas para manifestação, que não levo na brincadeira o que há de mais sério na vida: a liberdade¹ e os direitos básicos assegurados. Sem isso perdemos a cidadania, perdemos o orgulho, perdemos o pouco que nos mantém andando nessa estrada de poeiras sufocantes.

Vou para por os pés na porta do TRF4, caso os três desembargadores não nos recebam pra ouvir o que temos pra lhes dizer.

Não achem tolice ou prepotência, pois seria tolice de quem achar. Nunca se sabe em que momento e da boca de quem sairão as palavras que tocarão mais consciências com o sentido da realidade.

A história da humanidade desenvolveu-se em cima de frases ditas em determinados momentos que agradaram ou desagradaram aos que ouviam. Assim surgiam os tiranos ou democráticos.

Não basta ser humanidade. É pouco. É preciso ser humanizado pra permitir aos que vivem à margem da condição humana, que elevem-se ao estágio aceitável. Dos que estão pior que nós, não podemos exigir humanização, não é mesmo? Contudo, impacta o fato de que, extraordinariamente, encontramos muito mais humanizados entre a pobreza e a miséria, e nas classes sociais mais simples, do que nas classes tecnocratas “superiores”, em que pessoas frias e robóticas são comuns, quando não são distantes e alheias. Então, é preciso tirar de dentro desses a razão humanizada, e somente depois discutir objetivamente.

Vontade de socar uns pragmáticos por aí.

O que faremos em Porto Alegre será dar uma chance para que três homens salvem-se de cometer injustiça, salvem-se do medíocre e do desumano, salvem-se de perdurar com a destruição da democracia brasileira. Muitos pensam que somos fanáticos, mas pensa assim quem não é informado e sequer sabe que seus próprios interesses estão sendo defendidos através de nosso empenho. Não enxergam o quanto nos custa todo esse empenho, pois desconhecem as razões de quem sente-se parte da vida como um coletivo, em vez de apenas do próprio umbigo.

Vamos dar a eles a chance de serem reconhecidos em todo o Brasil e em todo o mundo como os homens que tiveram a coragem de mudar o curso do Brasil, desviando o país do caos para o caminho da perspectiva de um futuro, de dias de paz e melhores em tudo.

Se eles têm compromissos assumidos com quem seja e ao custo que for, que deixem que corram os trâmites lá nos corredores e gabinetes onde foram firmados, e aguentem o repuxo de entender que negociaram a revelia dos interesses da nação e do povo. Os interessados em lucros indevidos ao custo de destruir nosso país, e de empobrecer ainda mais nosso povo já tão pobre, que enfiem a viola dentro do saco, assumam que apostaram mal e perderam, conformem-se com o que ainda não conseguiram nos roubar e vão catar coquinho lá pras bandas deles, de preferência que seja bem longe de nós. Eles não sofrerão nada, todos eles já têm muito mais do que precisam pra viver a vida inteira muito bem. Apenas irão tramar novos golpes.

Com essas questões simples que envolve o ser humanizado, costuradas com os fatos todos, sobre corrupção no Brasil e a que custo se deve combatê-la, sobre partidarizar a corrupção no Brasil, fato esse que foi o maior absurdo já visto na história de um suposto combate contra a corrupção, sobre criminalizar a esquerda, o Partido dos Trabalhadores, os Movimentos Sociais e Populares Progressistas, sobre a judicialização da política, sobre a perseguição ao Lula, sobre os erros grotescos da Lava Jato, sobre pouparem ricos e bandidos, sobre o nefasto e selvagem programa neoliberal em curso, através de um governo medíocre e golpista que só conseguiu destituir Dilma Rousseff, a presidenta eleita, através de um golpe de Estado balizado pela Lava Jato, sobre a imprensa, em especial a Rede Globo e a revista Veja promoverem as mais criminosas divulgações que já se viu no mundo, e sobre tudo o mais que precisaria de muito espaço para registrar.

Não tenho atributos específicos nas diversas áreas sobre as quais se discute os efeitos desse golpe, mas se me colocarem na frente dos três desembargadores juntos, ou um de cada vez, converso sobre tudo segura de fundamentar todos os aspectos que surgirem, falo até de economia se for o caso e deixo a Leitão cambaleante, embora eu saiba que não é um grande feito fazer cambalear uma bocó despreparada e criminosa como aquela, que só divulga em seus programas e colunas escritas e naqueles livros, o lixo que os patrões querem, e o que os patrões dela querem é sempre golpe, é sempre lixo, é sempre vantagens indevidas ao custo altíssimo que estoura sempre no lombo do povo.

Penso que deve ser feita uma audiência pública entre os três desembargadores e o povo que estará na rua. Mesmo que através de telão. E só depois disso fazerem o julgamento.

Vou pra Porto Alegre pra me unir com todos que lá estiverem decididos em resolver esse golpe de Estado e acabar com o Estado de exceção de uma vez por todas.

¹Liberdade: sabemos que ninguém é totalmente livre, mas sabemos que há limites de cerceamento da liberdade. Não ser totalmente livre já é terrível, uma ofensa, imagine quererem tirar mais da pouca liberdade que temos. A gente se dispõe aos relacionamentos e contratos que limitam liberdades, mas fazemos por opção, seja qual for a motivação.

Um judiciário decidir rasgar os votos de milhões e em seguida decidir que milhões não votarão em quem desejam, é o mesmo que nos fazer sofrer dois golpes de Estado jurídico-midiático seguidos.

E isso é inadmissível. Isso é impossível de suportar. Nenhuma nação suporta sem se esfacelar para muito além do que já estamos.

Por Cleusa Slavieiro no seu Facebook