E Cunha levou Dilma até a guilhotina, lá seus algozes, previamente comprados, parte pelo mercado econômico, parte pelo próprio dinheiro público, executaram a sentença. O crime nunca existiu, mas disso todos já sabiam, e convenhamos, não fazia a mínima diferença, a final, cliente pagou, cliente recebeu. E muito bem pagos, os algozes executaram a sentença, da boca de muitos, uma desculpa que legalmente a nada servia, mas que aos néscios, aqueles que assistiam a morte da inoscente, diante de um pato amarelo, com danças coreografadas, e gritos de ódio, para esses, a desculpa serviu: Temos de sacrificar a mulher, pois a culpa das desgraças é do rombo, e o rombo é culpa dela.

Metade dos dementadores, sequer sabiam o que era rombo, mas de tanto se repetir a mentira, a mesma tornou-se em verdade. Dilma “causou” o rombo, o rombo derrubou Dilma. E isso disseram ao povo, entre homenagens a família e a torturadores, que a vítima encontrava-se abatida. E consumou-se o golpe.

Então para satisfazerem os fiéis do pato amarelo, colocaram no lugar da recém abatida presidenta, um novo, porém, ilegítimo presidente, que prometera ao povo, por ordem naquilo que a “ex” havia feito. E convocou-se o “timaço” da economia, e Meirelles foi convidado por Temer para capitanear o navio. A ordem era clara: Que o pobre pague a conta. E um décimo primeiro mandamento foi criado: Os juros da dívida pública, jamais deixarão de ser pagos. E assim foi, assim é.

Mas, a Rede Globo, aquela que conduziu os fiéis do pato por toda romaria do golpe, certo dia, resolveu trair o traidor, e no Jornal Nacional anunciou: “Contas do governo têm rombo de R$ 20 bilhões no pior julho em 21 anos”. Mas espera. A conta não fecha. Nem a do rombo, nem a do golpe.

Temer não governou nem 2 anos, mas fez o pior estrago em mais de duas décadas. E agora? Agora nada! Está tudo bem, está tudo certo. Ninguém nunca esteve nem ai para rombo, os amarelos era por horror a pobre, os ricos para aprovar as reformas contra os amarelos, que se achando ricos, seriam parte dos tantos que pagariam as contas do golpe que ajudaram a dar.

E o rombo aumentou, o desemprego aumentou, o combustível, o gás, a comida, tudo, tudo aumentou. Mas algumas coisas diminuíram, os direitos trabalhistas, a comida na mesa do trabalhador, os repasses a saúde, os programas sociais, mas quem se importa? A final, tiraram Dilma, extirparam o PeTê, e o nada imparcial Moro, condenou Lula.

Tudo estava correndo bem. Não fosse por um fato, o golpe viveria sua plenitude: O “cachaça”, o “mortadela”, o “nove dedos” estava incendiando seu povo, aquele que antes chorava sem esperança, agora estampava um sorriso no rosto, a bandeira que estava guardada, agora tremulava ao vento, e a estrela que brilhava tímida, agora reluzia com todo seu brilho.

Eles não contavam que quando aquele homem dizia que o ódio jamais venceria a esperança, ele dizia uma verdade tão grande. Quem poderia imaginar, que o golpe estaria por ser derrotado, justamente por ela, a desprezada esperança?

E quem poderia pensar, que ele, aquele retirante nordestino, iletrado, inculto, carregaria tanta sabedoria, a ponto de no coração de seu povo, plantar a esperança? Pois plantou. Semeou e agora vai colher.

É claro que o eixo do mal tentará abafar a pequena semente, mas, eu creio, acredito de todo meu coração, que haverá farta colheita. Mas quem por mais de uma década semeou esperança, não poderá colher outra coisa que não a plenitude da democracia.

Que venham os maus. Nós dissiparemos suas trevas, com o brilho da nossa estrela.

Por Patrick M. R. Canterville