Não me aguentei de rir ontem quando me enviaram essa história contada por Alexandre de Oliveira Périgo publicada no Facebook sobre sua intervenção com as pessoas no ato em Belo Horizonte.

Atos “democráticos” convocados pela Rede Globo de Televisão para protestar contra a corrupção e pedir, como ouvi algumas vezes, “Fora Dilma”, “Fora PT”.

Atos onde o que mais chamava a atenção era a belicosidade e a ignorância de quem estava nele.

Atos cujas faixas não diziam coisa com coisa, ou eram escritas em inglês, ou pediam intervenção militar.

Faixas expostas por pessoas, que, em sua maioria, não tinham a menor informação sobre a história do país, sobre as contradições entre o que estamos vivendo e o que eles estavam pedindo e sobre o que estavam de fato fazendo ali.

Uma gente que falava na corrupção defendendo pessoas que desde sempre tem sido responsáveis pela corrupção e atacando um Governo que tem tido a coragem de investigar a corrupção como nunca foi feito antes.

Uma gente lobotomizada pela Globo que esqueceu de pensar, refletir e medir as consequências de suas ações.

Se Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) fosse vivo com certeza teria muita coisa para fazer um novo livro. Seria o quarto livro da série “Festival de Besteiras que assola o País”.

Tirando um pouco da seriedade do tema, e sempre o levo a sério, me permitam um pouco de humor para falar um pouco mais sobre os atos do dia 15 através do texto dele.

Com vistas a garantir meu lugar nos céus loteados e gerenciados por Tutatis, o Benevolente, publicamente confesso que pequei hoje.

E pequei feio, pequei rude. Cometi bullying triplo carpado durante boa parte da tarde.

Enquanto estávamos na piscina do prédio exercendo toda nossa esquerdice-caviar aqui no epicentro coxinha de Beagá, vi pelo vidro da frente do prédio (que dá de cara com a calçada) um monte de gente empanada “de bem” passando com suas camisas da CBF a “protestar contra a corrupção”.

Não resisti e pequei, ò Tutatis.

Ao primeiro grupo gritei na direção da rua:
– “hoje tem jogo do Brasil? Porra, vamos golear os hermanos!!!”
Um dos manifestantes me olhou com aquela cara do tipo “que imbecil alienado é esse?”, e me respondeu: – “não, cara, hoje é a manifestação contra a corrupção e pelo impeachment dos petistas!”

Não me contive e rebati:
– “mas amigão, protestar contra corrupção com uma camiseta da CBF? E depois de ter votado no Aécio? Não seria mais digno ficar em casa conversando com os peixinhos do aquário?”

Não tive resposta. Não sei se pela minha eloquência ou pelo meu tamanho, mas o grupo se foi.

E gostei da brincadeira, Tutatis; fiquei à espreita das próximas frituras engajadas.

E elas apareceram, dessa vez manobrando uma BMW para depois seguir a pé para a manifestação, sempre com camisas amarelas.

Lá estava eu, na minha nazitocaia comuna, quando disparei: – “galera, hoje que é a manifestação contra a roubalheira?” E eles, crentes que foram em minha fantasia coxinha, disseram unissonos e solidários: – “sim, vamos pras ruas!”
Mas ai acho que os confundi:
– “É isso ai amigada, tamo junto! Se alguem nesse pais pode roubar somos só nós, né? Brancos e ricos moradores de Lourdes! Esse negócio de partido popular cheio de preto e pobre meter a mão na cumbuca do governo é puro vandalismo! Mas vamos agitar esse protesto logo e voltar pra casa que mais tarde tem eliminação no BBB, porra!”
Eles se entreolharam. Ficou nítido que não entenderam se eu estava sendo irônico ou mais fascista que eles. Na dúvida seguiram sem me responder, calados, rumo à “grande passeata”.

E assim segui, Ò Tutatis, vilipendiando os recheios dos salgadinhos amarelo-transeuntes até Pitú me pegar de jeito e me empurrar na piscina.
Aí, quando caí na água gelada, me redimi.

E aproveitei o que realmente deveria aproveitar sem dar bola pra essa fornalha de indignados seletivos: minha filha maravilhosa.

Porque essa gente, ò Benevolente, não merece nem meu escarnio.

Ainda assim, me perdoe e não arrende meu lote nos céus, ò Tutatis, por favor!

Prometo, na próxima “manifestação”, não sair da piscina e deixar os revoltados quitutes somente na companhia de suas próprias ignorância e alienação.

Amém?