Por Mara Rocha no Facebook

Quando o Partido dos trabalhadores optou em concorrer as eleições em 89, tinha em mente a atuação política no executivo e num papel limitado ao leque de apoio partidário, enquanto que boa parte da militância petista ou da esquerda, ainda falava em “revolução dos proletariado”.

Com o passar do tempo a dura realidade foi se impondo, não a todos, que permaneceram ainda sem entender a verdadeira dimensão de onde estavam. Muitas críticas da esquerda do PT e em relação a ele, no PSOL, PCO e outros, se dá no fato de que o partido se vendeu ao sistema e não estabelece em definitivo o governo dos trabalhadores, se esquivando de implementar a pauta popular.

Esquecem de analisar que na democracia existem regras fixadas pela elite, justamente para continuar mandando no país atrás das cortinas, são leis, compromissos e todo um contexto de luta de classes dissimulado e não aparente. Dessa crítica também se vale a direita para fustigar o governo. Usa-se o PT para falar mal do governo Dilma, assim como usam Dilma para falar mal do PT. Misturam tudo numa mesma cesta, como se partido e governo fossem um só.

Nada mais inverídico, nada mais ilusório.Tanto no congresso, quanto no executivo, o PT não tem maioria, quando o tem é na base de conversa e acordos lentos e complicados.Como um governo com o da Dilma, pode apesar da guerra sistemática contra ela, continuar lutando e ganhando as eleições?

Graças a sua militância, graças ao partido e suas lideranças. Pois, o voto do eleitor vai para um representante do PT, um representante do partido indicado e escolhido por ele. O PT só está no poder executivo com essa representação, assim como está no congresso representado por deputados.Todos os ataques que desferem em Dilma, Zé Dirceu, Marta, Haddad ou qualquer funcionário da administração pública, são computados na conta do PT, no entanto o partido não tem como se sobrepor ou agir diretamente e nem deve, nas decisões de Dilma, no jogo partidário do Congresso contra a coligação que mantém a presidenta e por fim nem ao jogo de força do judiciário.

Devemos colocar os golpes desferidos na presidenta como uma luta das forças de direita dentro das instituições. Sejam no Congresso, no próprio executivo, através dos Ministérios, no Judiciário, na Polícia Federal e também na maior empresa Estatal do país: a Petrobrás.

Voltamos a mesma pergunta. Como um governo nessas condições, pode lutar contra a corrupção entranhada em suas instituições? Citemos como exemplo a operação Lava Jato, que como afirmou Rodrigo Viana, se fosse séria, condenaria realmente todos os envolvidos, independente desse ou daquele partido e que pode prejudicar mais o PSDB, do que o PT, pois há mais envolvidos em corrupção do lá de lá.

Ele afirma que essa operação se fosse conduzida com integridade, levaria ao congresso a aprovação da Reforma Política, pondo fim ao financiamento privado das campanhas, mas isso não ocorre, pois o vazamento de informações é seletivo, num conluio entre instituição e mídia.

Dilma mostrou que dá liberdade ao judiciário e a PF, entretanto também elas possuem corrupção e partidarismos.Dilma nunca foi veemente na defesa do PT, contra as condenações arbitrárias imposta a seus quadros, nem a seus subordinados diretos ou indiretos, exige punição doa a quem doer. Como as instituições estão corroídas pela luta partidária,com a conivência da justiça, resta a Dilma também através de seus leais subordinados lutar internamente para anular a ação contrária.

É uma estratégia de mata ou morre, onde no final nada se apura de verdade, pois o interesse é apenas queimar o governo e o PT. O primeiro pode interferir nessa luta dentro das instituições, o segundo não tem poder para isso, pois sua responsabilidade é dar apoio as decisões de seu representante no governo, articulando politicamente através de suas lideranças no congresso, leis que desarticulem essas conspirações internas ou convocar o povo para as ruas.

São dois os campos de ação distintas, mas se articulados convenientemente, podem produzir resultados, ainda que pequenos. Governo, PT e esquerda juntos, devem refletir a melhor maneira para encontrar uma saída, que garanta a democracia e as conquistas efetivadas até agora.

Resumindo: a própria natureza do sistema permite essas contradições, estamos numa circulo vicioso que é preciso sair,partido e governo devem falar a mesma língua, entretanto sem nenhum canal de informação do Partido também com sua militância, sem um porta voz da presidenta que faça o contraditório ao PIG, sem a regulamentação da mídia, não haverá saída possível.