Após o fim do regime militar (1964/1985) o primeiro presidente do Brasil foi Tancredo Neves (eleição indireta), entretanto faleceu e quem assume é José Sarney, do PMDB, e ex-ARENA. Em 1990 Fernando Collor de Melo (PRN) é eleito presidente numa eleição direta, mas ao contrário de Sarney, Collor não estava muito disposto a negociar cargos em seu governo, diminuiu o número de ministérios para 12, levou um impeachment (obs: foi inocentado após 22 anos). Após ser enxotado quem assume é Itamar Franco, do PMDB. Ou seja, segundo político sem voto e do PMDB que chega a presidente.

Em 1994 Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, é eleito presidente, tendo como vice, Marco Maciel, do DEM. Parecia que o Brasil finalmente estava livre do PMDB, mas o referido partido não tardou chantagear FHC, ou ele distribuía cargos ou não governava. O mesmo tipo de chantagem viria depois pra atormentar Lula assim que o petista assumiu, o que explica porque FHC lhe disse que ele não tinha ideia do que estava por enfrentar. Tanto FHC quanto Lula foram obrigados a ceder. Dilma sofreu ainda mais chantagens, ela também cedeu, mas para os caciques do PMDB ainda não era o bastante, queriam muito mais. O mercado exigia que eles tomassem alguma providência. Assim sendo decidiram junto dos aliados dar nela um impeachment, e quem assume é Temer, do PMDB, terceiro deste partido que chega ao poder sem votos (…) E seja lá quem se tornar presidente em 2018 sofrerá as mesmas chantagens, ou dança conforme querem os caciques do PMDB ou simplesmente não governa, e se der chilique ainda sofre impeachment.

 

 

Após o regime militar até a presente data houveram 16 presidentes da câmara, e por 7 vezes o PMDB esteve no comando da casa. Houveram também 16 presidentes do senado, e por 14 vezes o PMDB esteve no comandoO atual presidente do senado, também pertence ao PMDB. Vejamos alguns dados curiosos relativos ao PMDB sob um prisma geral, de 85 à presente data: 1985 = Maior número de prefeitos 1986 = Maior número de deputados federais. – Maior número de deputados estaduais. – Maior número de governadores – Maior número de senadores 1988 = Maior número de prefeitos 1990 = Segundo maior número de governadores eleitos – Maior número de senadores eleitos 1992 = Segundo maior número de prefeitos – Maior número de vereadores 1994 = Maior número de governadores – Maior número de deputados – Maior número de senadores 1996 = Maior número de prefeitos – Maior número de vereadores 1998 = Maior número de governadores – Maior número de deputados – Maior número de senadores 2000 = Maior número de prefeitos 2002 = Terceiro maior número de deputados – Maior número de governadores – Maior número de senadores 2004 = Maior número de prefeitos 2006 = Maior número de governadores – Maior número de senadores – Maior número de deputados 2008 = Segundo maior número de prefeitos 2010 = Segundo maior número de deputados federais. – Segundo maior número de governadores – Maior número de senadores. 2012 = Maior número de prefeitos – Maior número de vereadores. 2014 = Maior número de deputados estaduais – Maior número de senadores – Segundo maior número de deputados federais – Maior número de governadores 2016 = Maior número de prefeitos. Até no ranking dos partidos com maior número de políticos com pendências na justiça o PMDB consegue ser maioria. Os barrados pela ‘Lei da Ficha Limpa’ em 2014, por exemplo, eram em sua maioria do PSDB, os parlamentares do PMDB vinham logo atrás, e como não gostam muito de ficar atrás, em 2016 superaram os tucanos

Oportuno lembrar ainda, que o PMDB tem o judiciário nas mãos, tanto é que apesar das toneladas de escândalos de corrupção em que Sarney está envolvido, assim como Temer ele continua numa boa. O partido também detêm o maior número de parlamentares donos de emissoras de rádio e televisãoEstamos à mercê de um presidencialismo de coalizão, ninguém governa sem fazer aliança com o PMDB. Seria preciso uma reforma politica para tentar amenizar o problema, mas como o PMDB sempre tem maioria na Câmara e Senado (isso sem contar com os partidos aliados) e é o que mais vem sendo favorecido por este sistema imundo, é óbvio que seus filiados vão barrar qualquer movimento que os prejudique. Os coronéis que deste partido fazem parte sempre optaram por governar nas sombras, pois sabem melhor que ninguém que o chefe do executivo é o que mais leva pedrada (Sarney que o diga), o que os atrapalharia e muito continuar comendo pelas beiradas até chegar onde realmente querem. Assim como fizeram com Collor, se aproveitaram também da impopularidade da Dilma pra se juntar com os aliados pra dar na petista o bote certeiro na hora exata. Melhor época impossível, já que além do mercado clamar por mudanças (reverter tudo que Lula fez custe o que custar) e os tucanos estarem sem um bom nome, os caciques do PMDB pretendem lançar candidato à presidente em 2018.

 

 

A estratégia do PMDB atualmente é transformar o golpe que deram em Dilma numa espécie de favor que fizeram ao país. Massacram o povo e dizem que estão sendo obrigados a massacrar o povo para cobrir um rombo deixado por ela, e que na verdade jamais existiu. São bilhões que ao invés de estarem sendo investidos em saúde, em educação, em segurança, estão é sendo investidos na imprensa para que esta nos convença que Dilma quebrou o país. Enfim, tolos os que acreditam que FHC, Collor, Lula e Dilma em algum momento governaram o Brasil com plena autonomia. Tolo quem pensa que algum presidente tomou ou tomará alguma medida para além das permitidas pelo PMDB. O pouco que foi feito até hoje pelos menos favorecidos só foi possível após uma ou outra aprovação tímida do PMDB. E não pense que o pouco que foi feito pelos menos favorecidos ficou de graça, não ficou de graça pra nenhum presidente tampouco para o povão. Aliás, a conta já chegou para o povão, por isso a reforma trabalhista, previdenciária, entre várias outras que estão a caminho

 

 

A última palavra raras vezes coube a algum presidente. Já arquitetaram derrubar Lula, mas voltaram atrás por medo da altíssima popularidade do petista, em especial no segundo mandato. Qualquer passo em falso dos caciques peemedebistas naquela época seria suicídio político. A última palavra raras vezes coube a algum presidente, portanto nem é preciso ser um gênio pra deduzir que tampouco cabe a nós, meros eleitores. A liberdade que temos hoje, no máximo é a de votar, afinal, faz parte do show “pra inglês ver” o quanto nosso país é “democrático”.

 

 

O que ocorre, entretanto, é uma ditadura peemedebista que transformou o executivo legislativo e judiciário num balcão de negócios após o regime militar. O PMDB nunca foi nada além do que uma organização criminosa cujos coronéis herdaram o poder da ditadura, cujos protagonistas eram tão criminosos quanto os caciques deste partido. Sob a mão de ferro dos caciques do PMDB, nosso voto jamais terá algum valor além do valor simbólico, basta lembrar, por exemplo, que graças a arapuca por eles armada, os mais de 54 milhões de votos conferidos à Dilma em 2014 foram jogados no ralo.

 

 

E não se engane, o mesmo poderia ter ocorrido com Aécio ou Marina Silva caso um dos dois vencesse em 2014 e não jogasse o “jogo”. Não se engane, se as eleições mudassem alguma coisa o PMDB já as teria proibido, poder para isso seus coronéis têm de sobra. Como sabem que não têm candidatos a altura, os caciques peemedebistas acharam por bem tentar instaurar o parlamentarismo a partir de 2018. Em outras palavras, como não têm um bom candidato à presidente para apresentar, querem uma carta na manga em caso de derrota, ou seja, extinguir de vez o cargo de presidente. Isso mesmo que você leu, tudo ficará nas mãos do congresso onde eles do PMDB (e seus partidos satélites) tem maioria. Na verdade o parlamentarismo já vem sendo exercido faz tempo, mas agora querem oficializar. E tudo só foi possível graças a você querido (e)leitor, que adora papagaiar por ai que “isso de partido não tem nada a ver”, que “o correto é votar em pessoas e não em partidos”, e que vivemos numa “ditadura petista”. PC/PCO