Como esperar que o trabalhador, e o povo em geral, sozinho, venha a escapar da doutrinação levada a cabo pela burguesia desde sempre em nosso país?

O pobre honrado, segundo dizem, é aquele que tem seu nome limpo, compra a crédito, paga juros e transfere riqueza para os banqueiros.

Não se apropria daquilo que não lhe pertence, mesmo que seja para saciar a fome ou a sede. Ensinam a ele que isso é viver e morrer com dignidade.

Se está desempregado logo alguém lhe aponta o caminho da igreja para que através de orações poderosas convença aos céus a dar-lhe um emprego (nesses tempos temerários seria no máximo um trabalho informal).

Desde cedo aprende que, em épocas eleitorais, deve preferir os candidatos ricos porque, por óbvio, um político rico não precisa roubar enquanto um político pobre… vixe!

Os exemplos de sucesso que emergiram dos mesmos guetos que os seus nunca são os que se tornaram mestres ou doutores mas aqueles que, por um golpe da sorte, se tornaram astro da bola ou compuseram um hit de sucesso efêmero.

A burguesia e seus sequazes são muitos hábeis, reconheçamos. Fingem-se moralistas, mas, sabem ser seletivos.

Precisamos ensinar ao trabalhador a relativizar.

Por Marco Teixeira, Diretor do SITRAMICO-RJ no Facebook