Essa é uma história das tradições dos povos antigos que resolvi compartilhar aqui com vocês . Contam eles que há alguns anos, um homem que queria aprender sobre a vida aproximou-se de um Sábio e perguntou-lhe:

– Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos não conseguem entender-se, por mais que digam que buscam a paz, o amor e o entendimento e afirmem abominar o ódio. E o Sábio respondeu: – Muitas gerações têm feito essa pergunta por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível de consciência. Existem 7 níveis conhecidos de consciência precisamos entender em qual nível estamos e cada pessoa está. A grande maioria infelizmente trafega entre o nível 1 e 2. Não adianta explicá-los, pois além de não entender, apenas comigo falando, você os esqueceria. Vou levá-lo a um local onde poderemos fazer uma experiência que ao ser vivenciada lhe mostrará em detalhes tudo. Assim, o Sábio levou o homem numa pequena cidade e explicou a ele o experimento que seria feito. Consistia em dar um leve tapa no rosto de cada indivíduo que passasse por ele e observar o comportamento de cada um. 

Passou o primeiro homem e o aprendiz pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa no rosto. Imediatamente, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos levando o aprendiz ao chão e fugiu. O Mestre então disse: – Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua forma de agir, sua visão de mundo.

Veja agora como reagirá o nosso companheiro que vem aí, do nível 2.

O aprendiz aguardou o próximo homem chegar e deu-lhe também um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o aprendiz, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte. – Agora, você já sabe como reage um homem do nível 2. Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se julgar-se mais fraco, não revidará imediatamente, irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de visão de mundo usada pelo homem do nível 1, só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida.

Agora você verá como reage o homem do nível 3. 

A cena repetiu-se. Mas, nesse caso o homem ao receber o tapa parou, olhou para o aprendiz e disse: – O que é isso, moço? Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra! Estou falando sério! E o aprendiz explicou – Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consiste em bater nas pessoas para ver como reagem. – E querem ver como reajo? Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente? – Queremos verificar – interferiu o Mestre – as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Você tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma alternativa? – De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo: – Esse teste é muito bárbaro, pois agride os outros. Estou, realmente, muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem pessoas inteligentes e sensatas. Certamente, deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham? Meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês. Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço… São uns perfeitos idiotas… E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento… Picaretas! Isso é o que vocês são!  O Mestre então falou ao aprendiz: – Agora, você já sabe como age o homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois, tem quase a mesma visão de mundo que os outros dois anteriores. Prefere deixar tudo “pra lá”, pois “não tem tempo” para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os “outros”. É um medíocre cheio de erudição, que se julga muito “entendido” e que reclama de tudo. É muito perigoso, pois, costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel e se acha melhor que os outros por isso. Possui instrução e um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso. Tem preguiça e falta de força de vontade para sair da visão de mundo em que está.

O mestre chamou atenção para a vinda do homem no nível 4. 

A cena repetiu-se. O caminhante olhou para o aprendiz e perguntou: – Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber? – Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada. – Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo? Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada, jamais, poderá ser conseguido. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa como outra qualquer. Já encontraram alguém que não entendesse o que estão fazendo? Tiveram reações hostis, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado, gostaria muito de acompanhá-los para partilhar isso. Me aceitam como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. O Mestre assim comentou com o aprendiz: – O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente da visão de mundo viciada nas coisas externas. Já sabe que existem outros níveis e está buscando apenas aprender mais e mais para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou sua visão exterior das coisas. Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas. Está no caminho da consciência.

Vamos ver agora como reage um homem do nível 5.

O tapa estalou no rosto do homem que passava e esse disse: – Camarada… Eu bem o mereci por não haver logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil? Cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu? – Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal…– Então, é nisso que te posso ajudar? Vou te ajudar com muita satisfação pedindo perdão por não haver logo percebido seu desejo de aprender. É meritória a sua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode conquistar. Através do aprendizado o homem ganha consciência. Logo vocês aprenderão a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou fazendo com vocês, neste momento. Vocês ainda têm um longo caminho pela frente, mas, se quiserem posso ser o seu guia nos passos iniciais e poupar vocês de muitos transtornos e dissabores. Sinto-me perfeitamente capaz de guiá-los nos primeiros passos e fazerem vocês chegarem até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos. O que acham da proposta? Aceitam-me como seu guia? Depois de observar a reação do quinto caminhante o Mestre se expressou: – Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que os homens que ainda se comportam como adolescentes que ainda não conseguiram sequer se encontrar e, muito inseguros e, devido a essa insegurança, não sabem como pedir ajuda e agridem a todos para chamar atenção sobre si mesmos e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessitam. O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir outros níveis de consciência. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos. Compreende que a imensa maioria dos seres humanos usa “muletas” diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a “muleta” que estão usando ou com o que lhes é mais acessível no nível em que se encontram.

O Sábio destacou: – Agora vejamos como reage o homem do nível 6.

E o aprendiz iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e tentou dar-lhe um tapa, mas, com um movimento quase instantâneo, o caminhante desviou-se do tapa e lhe disse: – Meu querido companheiro! Por que você queria ferir-se a si mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo? Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar e causará muito sofrimento inútil? Por que, em vez de dar um tapa, não dá um abraço nas pessoas? Assim, em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo. O Mestre falou: – Este é o nível 6, um dos níveis mais elevados a que pode chegar o Ser Humano em sua consciência no Planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem Sublime, Inefável e quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois, já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda sua Plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso.

Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando. Ele é do nível 7.

Mas, quando o aprendiz pediu ao homem que parasse para lhe dar um tapa seus olhares se cruzaram, e, uma espécie de choque elétrico percorreu todo o seu corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida, senso de coletividade e de solidariedade invadiram seu corpo. – Bata nele! – ordenou o Sábio. Mas, o aprendiz não pode e lhe disse: – Não posso, Mestre, não posso… Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais! – Bate-me – disse o caminhante com muita firmeza e suavidade – pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente, porque ainda existem guerras na Humanidade. – Não posso… não tem o menor sentido fazer isso…– Então – disse o homem no nível 7, você já aprendeu sua lição.

E o Sábio perguntou ao aprendiz: – Quem, dentre todos em quem bateu o ensinou mais? Reflita um pouco e me responda. – Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao nível 3. Agora, compreendo quanto são inconscientes e o como terão que caminhar para entender isso. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de “muletas” e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples abandoná-las e que, no preciso instante em que as abandonarem, começarão a melhorar e melhorar o mundo a sua volta. Era essa a lição que eu deveria aprender? – Sim. Essa é apenas uma das muitas facetas do verdadeiro aprendizado. Você tem muito que aprender, mas já aprendeu a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! Mas, ainda existem muitas outras coisas mais para aprender. – Compreendi, também, disse o aprendiz, que podemos nos ajudar uns aos outros e que a vida está muito além daquilo que julgamos ser importantes – as nossas “muletas” – nossa busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder só nos prejudica. – A Humanidade ainda é uma criança, mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar “muletas”. O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais.

O autor deste conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da Tradição Oral, durante muitas e muitas gerações. Agora, depois de lê-lo, reflita. Qual seu nível de consciência? Onde você está agora e onde você quer chegar?