Por Leandro Scala no Facebook

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Só no Brasil uma mulher condenada a indenizar um homem por danos morais por ter classificado como apologia ao estupro uma narrativa de estupro que este mesmo homem fez em um programa de entrevistas. O homem em questão é Alexandre Frota , que contou que certa vez , imobilizou uma mãe de santo pelo pescoço , fazendo-a desmaiar , e em seguida a violentou. Se isso não é estupro, eu não sei mais o que é um estupro, e, se contar isso em um programa de entrevistas, sem o menor constrangimento, não é apologia ao estupro, eu não sei mais o que é apologia ao estupro.

Mas, mesmo diante do óbvio, a juíza de primeiro grau, Juliana Nobre Correa, condenou a ex-ministra da secretaria de Políticas para Mulheres do governo Dilma, Eleonora Menicucci, ao pagamento de dez mil reais a Alexandre Frota, a título de indenização, por ter classificado como apologia ao estupro a narrativa em questão. Dez mil de indenização por ter dito o óbvio. Só no Brasil uma juíza mulher é quem assina uma sentença como esta.

Esse caso, infelizmente, não é um fato isolado. O movimento de culpabilização das vítimas (especialmente em crimes que envolvem a questão do gênero) cresce quase tão vertiginosamente quanto o próprio feminismo.

Tanto que (só no Brasil) tramita no Senado Federal um Projeto de Lei que visa tornar a falsa acusação de estupro crime hediondo.

No Brasil, onde uma mulher é estuprada a cada onze minutos.

No Brasil, onde uma menina é estuprada por trinta e três homens e apenas três deles são presos.

Onde a palavra da vítima é sempre colocada em dúvida.

Onde a cultura do estupro não apenas ainda impera: ela cresce e é alimentada por homens como Alexandre Frota e, infelizmente, também por mulheres como Juliana Nobre Correa.

Enfim…

O que esperar de um país em que a primeira mulher a chegar à presidência sofre um golpe machista? E, sobretudo, o que esperar de um país onde o ministro da Educação recebe de Alexandre Frota uma pauta de reivindicações sobre educação?

Só no Brasil!!!