É triste perceber a ignorância de tanta gente para a história do país e do significado das palavras que fazem parte do cotidiano delas mesmas.

A polêmica do Brasil vermelho ou verde-amarelo que a midia provocou durante tanto tempo, vem distorcendo o principal debate que deveria ser a maior preocupação de todos nós brasileiros, a melhoria contínua de nossas condições de vida em nosso país.

Somos um povo? E que povo somos? Somos verde-amarelos ou vermelhos? Ou somos de todas as cores e feitios? Será que essa separação nos favorece? Ou ela nos condena a radicalismos que nos tira as oportunidades de sermos quem somos? Somos cidadãos ou somos indivíduos que não conseguem enxergar no outro as mesmas necessidades e expectativas? Será que sabemos exatamente do que precisamos? Será que temos como ter mais consciência do que somos verdadeiramente? Ou será que nossos interesses individualistas não nos permitem ter consciência? Precisamos nos fazer essas  e muitas outras perguntas.

Quando alguém diz, por exemplo, que o Brasil não tem que ser vermelho mostra desconhecimento sobre muito de nossa identidade, do que fomos no passado e desvalorizam nossas heranças. Ao mesmo tempo, faz isso para incutir em nossa mente uma divisão que nos desfavorece e encobre os reais problemas que deveríamos enfrentar.

O nome BRASIL devemos aos nativos, os índios, herdeiros legítimos de nossas terras que chamavam a árvore que denominamos de “Pau Brasil” de Araboutan ou Ibira Piranga. Esse nome vem do substantivo “brasa”, porque a madeira dessa espécie (Caesalpinia echinata) tem a cor avermelhada, que lembra a cor de brasa das fogueiras.

Além disso, há outras controvérsias sobre o nome do país. Vários historiadores conceituados atribuem o nome “Brasil” à uma lendária ilha irlandesa e não à árvore Pau Brasil, como nós aprendemos na escola.

Essas controvérsias mostram a existência de dois termos interessantes de origem celta que é preciso levar em conta na história do nome do nosso país: “brasas”, de origem germânica e “braazi”, que significa “terra grande”. Estima-se que eles tenham sido a origem de tudo.

E qual a raiz dessa história? Está nos bois avermelhados em Portugal. Os nossos exploradores, que, não foram os primeiros a estarem na América do Sul — eram comumente apelidados de “brazino”, termo gaélico irlandês que equivale a “breazáil” ou ainda do termo “O’Brasil” que remete a tradução: “descendentes do vermelho”.

O historiador Geraldo Cantarino explica: “Para Roger Casement, não existe a menor dúvida que tanto os livros escolares, enciclopédias e dicionários como os brasileiros indagados individualmente estavam cometendo um engano. Por mais estranho que possa parecer, o Brasil deve o seu nome não à abundância de um certo pau-de-tinta, mas à Irlanda. A distinção em nomear o grande país da América do Sul, eu acredito, pertence seguramente à Irlanda e a uma antiga crença irlandesa tão remota como a própria mente celta”.

Dessa forma, não se pode dizer que o Brasil nunca será vermelho. Somos descendentes de um povo vermelho (indígenas), o nome de nossa nação está ligada ao vermelho através do “Pau Brasil”, dos celtas, dos irlandeses e dos portugueses. E o vermelho que é cor das brasas, do fogo, do sangue, da paixão de nascer nessa terra privilegiada é redentor.

Todos nós brasileiros, deveríamos ter muito orgulho de ter o vermelho como símbolo. Assim, como o verde amarelo que representam nossas maiores riquezas em nossa bandeira.

Os poderosos criaram essa divisão para encobrir seus crimes e fazer com que sejamos inimigos em nossa própria terra. A velha estrátégia de guerra, dividir para governar e ter poder. Com isso deixamos que nos impusessem reformas contra nossos direitos e contra nossa liberdade. Com isso voltamos a um passado que já deveríamos ter enterrado. Estamos deixando que entreguem tudo, nossas riquezas, nossas empresas, nossos empregos e nossa economia.

Tudo em nome de que? Tirar o PT do poder que foi o partido que mais fez pelo povo? Erradicar o comunismo que nunca existiu em nossa terra? Erradicar a corrupção que é inerente e conivente com o sistema capitalista que existe no Brasil? Resguardar os valores das famílias burguesas brasileiras as quais em sua maioria são hipócritas, egoístas e cometem crimes de todos os tipos em nome de seus interesses? 

O Brasil nunca mais será Vermelho??? O Brasil nunca mais será nada e descerá ao mais fundo dos fossos se permanecermos na inércia, no voluntarismo e na divisão. Que tal  nos transformarmos em cidadãos e lutarmos para que nossa terra tão rica possa ser cuidada e possa cuidar de todos sem distinção? Que tal analisar, estudar, traçar estratégias e metas coletivas que possam de fato construir a transformação social?

É disso que precisa nossa pátria amada mãe gentil, nosso querido BRASIL! Que deixemos de miopia e tenhamos responsabilidade, todos nós!