Por Bepe Damasco

A compreensão da simbiose entre a Lava Jato e o bolsonarismo é importante para identificar quem manipula os cordéis que provocam a anarquia institucional do estado de exceção que vivemos.

As milícias digitais, que atuam diuturnamente nas redes sociais ameaçando, difamando, agredindo e chantageando, a um só tempo servem à cruzada nazi-bolsonarista contra os valores democráticos, civilizatórios e iluministas e ao projeto de poder da República de Curitiba.

Nunca é demais repetir que o fenômeno Bolsonaro só foi possível graças à Lava Jato. Por trás do golpe que apeou a presidenta Dilma do governo está a República de Curitiba. E a perseguição a Lula, que culminou com sua prisão ilegal e seu alijamento das eleições, constitui-se, sem dúvida, na maior contribuição dos procuradores e juízes lavajateiros à fascistização do país, que atingiu o apogeu com a eleição do capitão. 

Se é inquestionável que o massacre midiático liderado pelas Organizações Globo teve papel central na campanha de desestabilização do governo de Dilma, não podemos perder de vista que já naquele período o exército digital obscurantista marcava forte presença nas redes disseminando intolerância política e ódio aos petistas e ao conjunto da esquerda.

Essa ação orquestrada, urdida no esgoto da política, fora articulada visando três objetivos combinados: 1) o afastamento da presidenta legítima; 2) o endeusamento da Lava Jato, com a transformação de seu principal expoente, o juiz Moro, em herói nacional; 3) a afirmação do nome de Bolsonaro como luminar da “nova política.” Cumprida a missão, chegara a hora de voltar as baterias na direção do maior obstáculo à destruição da democracia no Brasil: o ex-presidente Lula.

O sistema criminal de justiça quando se pauta por convicções políticas trai suas funções públicas e se desmoraliza. Essa aberração está por trás da tragédia que se abateu sobre o Brasil.

Isto posto, é interessante notar que muitos observadores da cena política no campo popular e progressista, entre os quais me incluo, cometeram o equívoco de considerar que o vínculo político prioritário da Lava Jato era com o PSDB. Essa visão levava em conta a notória impunidade de lideranças tucanas, tais como Aécio Neves, Serra e tantos outros.

Leniência em relação aos tucanos à parte, o tempo mostrou que a Lava Jato é essencialmente um movimento político de extrema-direita, de viés fascista, e não de direita à la PSDB ou DEM.  

E o modus operandi da Lava jato, consolidado depois de cinco anos, é a prova cabal da posição que a operação ocupa no espectro político-ideológico, afinal, é coisa típica de militantes extremados de direita a falta de apreço pela presunção de inocência, pelo devido processo legal, pelo amplo direito de defesa, pelas garantias fundamentais previstas na Constituição, pelo Código Penal e Código de Processo Penal.

A entronização de Moro como superministro de um governo desprovido de quaisquer compromissos democráticos desnudou de vez a ideologia da Santa Inquisição de Curitiba. Desde então a intervenção virtual unificada por parte de lavajateiros e bolsonaristas só se ampliou, impulsionada por interesses cada vez mais comuns. As ameaças a ministros do Supremo, que se multiplicaram depois que o tribunal abateu em pelo voo a tentativa dos procuradores do MP do Paraná de gerir um fundo de 2,5 bilhões de reais e decidiu que casos de caixa 2 cabem à justiça eleitoral, revela como essa gangue digital continua mais forte do que nunca.