Dia 2 de fevereiro as 4 horas da manhã acordei com a preocupação pelo estado de saúde de D. Marisa Letícia e quando soube de sua piora na madrugada chorei. Adivinhava o que viria… Meu coração em alerta conseguiu sentir naquele momento a dor que ela sentiu com tantos fatos grotescos que lhe aconteceram nos últimos tempos… Tantas mentiras, tanta calúnia, tanta perseguição…

Agradeci ter tantas assembleias para fazer com trabalhadores da BR e de outras distribuidoras de combustíveis e lubrificantes.

Foram nove assembleias durante o dia. Nove vezes em que me concentrei em conscientizar e lembrar a esses trabalhadores os momentos difíceis que vivemos no Brasil.

A última assembleia acabou as 16 h e cansada, pensei de novo em D. Marisa, em sua família e em Lula e o fantástico trabalho que ele realizou pelo Brasil e pelo povo sofrido de nosso país e no quanto tem sido perseguido pelo que fez, por ter mostrado ao mundo que o Brasil podia dar certo.

Lágrimas teimaram em cair de novo de meus olhos. Injustiça e ingratidão são posturas que mexem com meus sentimentos de forma descomunal.

Ao chegar em casa tentei dormir e pensei nos meus filhos e nos meus netos. Minha filha estava com problemas e me telefonou e nos falamos. Me senti triste por estar longe dela naquele dia.

No dia seguinte acordei de novo as 4 h da manhã e mais uma vez fui em algumas bases e fiz três novas assembleias. Pensei ao despertar se aquela vida que eu vivia valia a pena. Valeria a pena acordar tão cedo, dormir tão pouco e estar sempre pressionada pelo tempo e pela vida confusa que tem uma dirigente sindical num país tão machista, odioso e discriminador?

Como se adivinhassem meu estado, os trabalhadores foram bastante positivos e as votações que fizemos nesse dia, em bases com um número bem grande de trabalhadores foram estimulantes.

Assim, me fizeram pensar. Essa não foi a vida que escolhi? O que seria dessa minha vida sem o sonho coletivo? O que seria de mim sem o sonho de junto com os trabalhadores lutar pela nossa liberdade e pela nossa emancipação?

E revigorada decidi. Todas as vezes que o cansaço, a tristeza, a injustiça e a ingratidão baterem na minha porta eu vou lembrar de Lula, D. Marisa Letícia e seus sonhos de fazer o Brasil grande. Vou lembrar de sua fé no povo dessa terra.

Mais uma vez lágrimas me visitaram. E a emoção não me deixou continuar a falar ou pensar muito. O que mais dizer? Palavras vão com o vento, mas, exemplos arrastam e a alegria de ver a esperança nos olhos daqueles que dependem de alguma forma de nossos atos não tem paga.

Lula e D. Marisa Letícia estão definitivamente integrados a minha história de mulher, de mãe, de avó, de sindicalista e educadora. Estou mais do que nunca convencida de que não basta a nós trabalhadores termos a educação formal da escola ou da universidade sem passar pela experiência da luta. A luta nos forja para que estejamos sempre atentos diante das crises e nos fortaleçamos com elas.

Lula e Marisa me ensinaram a ter na luta diária os ensinamentos e a sensibilidade para aprender e seguir em frente. Se algum dia puder ter ao menos a terça parte do amor e da confiança que eles tiveram na vida vou me sentir a mulher mais realizada do mundo.

Só tenho a agradecer o exemplo que me deram. Obrigada Lula! E obrigada D. Maria Leticia! Vocês fazem parte de mim… E o amor que moveu vocês estará sempre dentro de meu coração.