Há um país em que uma mulher é estuprada a cada onze minutos e em que 85% das mulheres têm medo de serem vítimas de estupro.

Nesse mesmo país, 42% dos homens declaram que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas” e 26% afirmam que “mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas” (Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Dafafolha).

Nesse mesmo país pouco civilizado, até homens com alto nível de formação são capazes de considerar “mimimi” as preocupações a respeito, mesmo quando elas vêm de outros homens, que não admitem ser confundidos com os muitos maníacos de plantão.

Esse país se chama Brasil. Matéria da Folha de SP registrou a ocorrência de dez estupros coletivos por dia no Brasil. Eram 1.570 casos em 2011 e foram 3.526 em 2016, ou seja, praticamente dez casos por dia. Apenas 10% dos casos de estupro são notificados.

Desse modo, como há 50.000 registros em delegacias e hospitais, supõe-se que 450 mil casos escapam. A obrigatoriedade da notificação dos casos de estupro, por serviços públicos e privados de saúde só começou a partir de 2011, no governo Dilma Rousseff, uma mulher.

A taxa média brasileira é de 1,71 casos por 100 mil habitantes e é bom vermos onde há mais e menos segurança, partindo dos estados mais violentos para os menos violentos (30% dos municípios não fornecem dados ao Ministério da Saúde):

1) Acre: 4,41 casos;
2) Tocantins: 4,31 casos;
3) Distrito Federal, 4,23 casos;
4) Roraima: 3,31 casos;
5) Amazonas: 3,22 casos;
6) Paraná e Pernambuco: 2,40 casos;
7) Santa Catarina: 2,29 casos;
8) Mato Grosso do Sul: 2,24 casos;
9) Mato Grosso: 2,12 casos;
10) Espírito Santo: 2,09 casos;
11) Rio Grande do Sul: 1,98 casos;
12) Minas Gerais: 1,94 casos;
13) Goiás: 1,81 casos;
14) Pará: 1,79 casos.

Observe-se que todos os estados da Região Sul, que contém inúmeros cidadãos portadores de ideias racistas quanto ao restante do país, estão bem acima da média nacional. A capital deste país está em terceiro lugar.

15) São Paulo: 1,58 casos;
16) Rio de Janeiro: 1,46 casos;
17) Piauí: 1,43 casos;
18) Alagoas: 1,22 casos;
19) Amapá: 1,15 casos;
20) Ceará: 1,07 casos;
21) Bahia: 0,82 casos;
22) Sergipe: 0,66 casos;
23) Maranhão: 0,65 casos;
24) Rio Grande do Norte: 0,58 casos;
25) Paraíba: 0,23 casos.

Solicito a divulgação desses dados. Muitas vítimas de assédio simplesmente têm medo, com boas razões, de se manifestarem.

Por Fernando Almeida no Facebook