A introdução do novo livro, The Next Revolution: Popular Assemblies and the Promise of Direct Democracy (Verso, 2015) , explica como Murray Bookchin– nascido em uma família de imigrantes judeus russos em Nova York em 1921- foi introduzido na política radical aos 9 anos de idade quando ingressou nos Jovens pioneiros, uma organização de juventude comunista. Esse seria o começo de sua “vida na esquerda” onde ele migraria do Stalinismo para o Trotskismo durante a segunda guerra mundial antes de se reivindicar anarquista no fim dos anos 1950 e eventualmente se identificar como “comunalista” ou “municipalista libertário” depois da introdução da ideia de ecologia social.

Embora Bookchin nunca tenha ido  à faculdade -exceto por algumas aulas de  tecnologia de rádio depois da segunda guerra mundial- ele escreveu dúzias de livros e publicou centenas de artigos acadêmicos, além de fundar vários jornais e criar o Institute for Social Ecology em 1974. Sua contribuição mais importante para a política radical talvez tenha sido a (re)introdução do conceito de ecologia  no pensamento político.

Bookchin  se opôs às ideias e práticas dos movimentos ambientalistas emergentes , acusando-os de  defenderem meros “ajustes técnicos” no capitalismo, contrapondo-os a uma abordagem ecológica que busca as causas fundamentais do problema sistêmico. Na sua visão, a falha crítica do capitalismo  não está na exploração da classe operária, como acreditam os marxistas, mas sim em seu conflito natural com o meio-ambiente que , se permitido que ele se desenvolva sem oposição, levará inevitavelmente à desumanização das pessoas e a destruição da natureza.

The Next Revolution  inclui o ensaio The Ecological Crisis and the Need to Remake Society, de 1992. Nele, Bookchin argumenta que “a mensagem mais fundamental  para que  a  ecologia social avance é a ideia de que  dominar a natureza origina a dominação de um ser humano sobre o outro.” Para  que uma sociedade ecológica se desenvolva, primeiro a dominação inter-humana deve ser erradicada. De acordo com Bookchin, “  o capitalismo  e seu alter-ego, o  ‘socialismo de estado’ trouxeram todos os problemas históricos  de dominação à cabeça” e a economia de mercado, se não for parada, vai conseguir destruir nosso meio-ambiente como resultado de sua ideologia de “cresça ou morra”.

Por anos , Bookchin tentou convencer grupos anarquistas nos EUA de que a ideia de um municipalismo libertário- que, em suas próprias palavras “busca retomar a esfera pública para o exercício da cidadania autêntica enquanto rompe o  ciclo deprimente do parlamentarismo  e sua mistificação do mecanismo “partidário” como uma forma de representação pública”-  era chave para fazer o anarquismo relevante política e socialmente de novo.

O municipalismo libertário promove o uso de assembleias de maneira a “roubar” a prática política das mãos políticos profissionais e carreiristas e colocá-la de volta nas mãos dos cidadãos. Descrevendo o estado como “uma formação completamente alienígena” e uma “pedra no sapato do desenvolvimento humano”, Bookchin apresenta o municipalismo libertário como “democrático até o osso e não-hierárquico em sua estrutura” assim como “baseado em uma luta para atingir um sociedade ecológica e racional”.

Para a frustração de Bookchin, muitos anarquistas  se recusaram a adotar suas idéias,  relutantes em aceitar que, para se manter politicamente relevantes e ter capacidade de fazer uma revolução de verdade. Eles precisariam participar de alguma forma de governo local. Apesar de haver amadurecido na companhia de  marxistas, sindicalistas e anarquistas, Bookchin logo desenvolveu e sustentou críticas fundamentais a todas essas correntes,  orientando não apenas o desenvolvimento de sua própria ideia de ecologia social mas também  criando muitas críticas na esquerda.

A Resistência Curda

No fim dos anos 1970, enquanto Bookchin brigava para ganhar reconhecimento para o valor e importância de sua teoria da ecologia social nos EUA, uma luta completamente diferente emergia do outro lado do mundo. Na região montanhosa, predominantemente curda do Sudeste da Turquia, uma organização era fundada e eventualmente adotaria e adaptaria a ecologia social de Bookchin.

A organização foi batizada de Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, pela sua sigla em Curdo, e em 1984 lançaram  os primeiros ataques contra o estado turco. A essas primeiras operações logo seguiram outras e eventualmente se desenvolve uma luta armada de três décadas que ainda não foi resolvida.

O PKK foi inspirado pelo pensamento Marxista-leninista e lutava por um estado curdo independente que deveria ser fundado com base nos princípios socialistas. A terra tradicional curda abrange territórios na Turquia moderna, Irã, Iraque e Síria, que foram criados no início do século XX, quando um acordo sobre a divisão do território do antigo império Otomano  no Oriente Médio foi estabelecido entre a França e o Reino Unido. As fronteiras entre a Turquia, a Síria e o Iraque foram definidas pelo infame Acordo Sykes-Picot em 1916.

Apesar do desejo utópico de  um dia ver os diferentes territórios curdos unificados, a luta do PKK se focou primeiramente na libertação do Curdistão do Norte, ou Bakur– os territórios curdos ocupados pelo estado turco. Durante os anos 1990, entretanto, o PKK lentamente começou a largar seu desejo de fundar um Estado-nação curdo independente e começou a explorar outras possibilidades.

Em 1999 Abdullah Öcalan– o fundador e líder do PKK- se tornou alvo de uma disputa diplomática entre a Turquia e a Síria,  de onde ele vinha dirigindo as operações do PKK depois de ter sido forçado a fugir da Turquia duas décadas antes.  A Síria se recusava a  abrigar e proteger o líder rebelde por mais tempo, deixando pouca opção a Öcalan além de deixar o país em busca de outro refúgio. Pouco tempo depois, ele foi preso no Quênia e extraditado para a Turquia onde foi condenado a morte- pena que depois foi comutada em pena de morte.

A captura de Öcalan foi o ponto de Ruptura na  luta do PKK por independência. Pouco depois a organização retirou suas reivindicações por um estado independente em favor de mais autonomia local. Na cadeia, Öcalan começou a se familiarizar com os trabalhos de Bookchin, cujos escritos sobre transformação social o influenciaram a desistir do ideal de um estado nação independente e ao invés disso buscar um rumo alternativo que ele chamou de “Confederalismo Democrático”.

Anos antes, depois do colapso da União Soviética em 1991, o PKK já tinha começado a refletir criticamente sobre o conceito de Estado-nação. Nenhum dos territórios tradicionais dos curdos era exclusivamente curdo. Um estado fundado e controlado pelos curdos teria, automaticamente,  que lidar com grandes grupos minoritários, criando o potencial para repressão das minorias étnicas e religiosas da mesma forma que os próprios curdos eram oprimidos por muitos anos. Sendo assim, um estado curdo progressivamente seria visto como uma continuação, em vez de uma solução, para os problemas existentes na região.

O Confederalismo Democrático

Em seu panfleto  “O Confederalismo Democrático” de 2005 Abdullah Öcalan formal e definitivamente rompeu com as aspirações inicias do PKK de fundar um Estado-nação curdo independente.”O sistema de Estados-nações” discute no documento, “se tornou uma séria barreira para o desenvolvimento da sociedade, da democracia e da liberdade desde o fim do século XX.”

Na visão de Öcalan, o único caminho para fora da crise no Oriente Médio é o estabelecimento de um sistema confederado democrático “que terá sua força derivada diretamente do povo, e não da globalização baseada nos Estados-nação” acordo com o líder rebelde aprisionado,”nem o sistema capitalista nem a pressão das forças imperialistas levarão à democracia; exceto para servir a seus próprios interesses. O objetivo é  auxiliar o desenvolvimento de uma democracia de base…. Que levará em consideração as diferenças religiosas, étnicas e de classe na sociedade.”

Pouco depois do chamado de Öcalan para o desenvolvimento de um modelo Confederalista Democrático, o Congresso por uma Sociedade Democrática(DTK) foi fundado em Diyarbakir. Durante  uma assembleia em 2011, a entidade lançou seu Chamado por Autonomia Democrática em que demandava autonomia do estado nos campos da política, Autodefesa, Cultura, Sociedade, Economia, Ecologia e Diplomacia. A reação do estado Turco foi previsível: estabelecendo um rumo de confronto e criminalização, ele imediatamente baniu o DTK.

Não é nenhuma coincidência que a ideia do confederalismo democrático, desenvolvida por Öcalan, mostre tantos paralelos com as ideias de ecologia social de Bookchin. No início dos anos 2000 Öcalan começou a ler Ecology of Freedom e Urbanization Without Cities  na prisão e logo se declarou um estudioso das obras de Bookchin. Por meio dos seus advogados, Öcalan tentou  marcar um encontro com o pensador radical para entender as formas como as ideias de Bookchin poderiam se tornar aplicáveis no contexto do Oriente Médio.

Infelizmente, por conta da saúde ruim de Bookchin na época, esse encontro  nunca aconteceu, mas ele enviou uma mensagem a Öcalan em maio de 2004: “minha esperança é que o povo curdo um dia se torne  capaz de estabelecer um sociedade livre, racional que permitirá que seu esplendor dê frutos de novo. Eles  já são afortunados por ter um líder com o talento do  Sr. Öcalan para guiá-los.”

Em troca, como uma forma de reconhecimento da influência fundamental de Bookchin no movimento de libertação curdo, uma Assembleia do PKK o nomeou como “um dos maiores cientistas sociais do século XX” quando ele morreu em 2006. Eles expressaram sua esperança que os curdos pudessem ser a primeira sociedade a estabelecer o confederalismo democrático, dizendo que o projeto era “criativo e executável”.

Poder dual , Confederalismo e Ecologia social

Durante a última década o Confederalismo Democrático se tornou, lenta mas certamente,   uma parte integral da sociedade curda. Três elementos do pensamento de Bookchin influenciou especialmente o desenvolvimento de uma “modernidade democrática”no Curdistão: o conceito de “Poder Dual”, a estrutura confederada proposta por Bookchin como proposta sob o título de municipalismo libertário, e a teoria da ecologia social que traça as raízes de muitas das lutas contemporâneas de volta às origens da civilização e coloca o meio ambiente no coração da solução desses problemas.

Poder dual

O conceito de Poder dual foi uma das principais razões porque o trabalho de Bookchin foi rejeitado por grupos anarquistas, comunistas e sindicalistas. Em vez de advogar a abolição do estado através de um levante do proletariado, ele sugeriu que isto aconteceria pelo desenvolvimento de instituições alternativas na forma de assembleias populares e comitês de bairro- e surpreendentemente  por  participar de eleições municipais- o poder do estado poderia ser “esvaziado” por baixo, até que se tornasse supérfluo.

A inclinação de Bookchin em tomar e construir instituições de poder origina-se de sua análise da política como oposta ao governo. De acordo com Bookchin, “marxistas, sindicalistas revolucionários e anarquistas autênticos todos têm uma compreensão falaciosa de política que  deveria ser concebida como uma arena cívica e as instituições pelas quais as pessoas democrática e diretamente administram seus assuntos comunitários”  o que normalmente é  denominado como “política” Bookchin vê como “governo” ou como o tipo de coisa com a  qual políticos profissionais se ocupam.

“Política” por contraste,  em vez de  ser um tipo de  prática inerentemente ruim que muitos revolucionários de esquerda acreditam que precisa ser abolida, é de fato a cola que mantém a sociedade unida. Ela é algo que precisa ser organizado. É algo que necessita ser organizado de uma forma que previna qualquer abuso de poder. “A liberdade do autoritarismo só pode ser melhor garantida pela alocação de  poder clara concisa e detalhada de poder, não pela pretensão  de que o poder são formas de “governo” ou por metáforas libertárias que concebem sua realidade,” Bookchin escreve em seu ensaio The Comunalist Project.

A adesão dos curdos à ideia de Bookchin do poder dual é  clara pelo modelo de organização do DTK nos diferentes níveis da sociedade. A assembleia geral do DTK se reúne duas vezes por ano em Diyarbakir, a capital de fato do Curdistão do Norte. Dos 1000 delegados, 40% são oficiais eleitos que ocupam posições nas diferentes instituições do governo. Enquanto dos 60% restantes vêm da sociedade civil e podem tanto ser membros de  uma das assembleias populares, representantes de ONGs ou indivíduos independentes. As decisões feitas na assembleia são levadas às câmaras municipais pelos membros que ocupam assentos nos dois corpos organizacionais.

Confederalismo

O sistema confederado também é claramente manifesto na estrutura organizacional do DTK. em The Meaning of Confederalism. Bookchin descreve o confederalismo como “uma rede de conselhos administrativos cujos membros ou delegados de assembleias democráticas cara a cara, em várias vilas, cidades e até bairros de cidades maiores” essa explicação  quase que perfeita da situação em vários lugares da região curda- na Turquia como no Norte da Síria.

Um exemplo clássico é a situação em Diyarbakir,  onde a assembleia do movimento está particularmente bem estabelecido: no livro Democratic Autonomy in North Kurdistan, a situação é explicada pelos membros da câmara municipal de Amed (Amed é o nome curdo de Diyarbakir):

Amed tem treze distritos, cada um deles tem um conselho com sua própria direção. Nos distritos há bairros, que têm conselhos de bairro. Alguns distritos têm cerca de oito conselhos de bairro. E alguns lugares tem conselhos em cada rua. Nas vilas próximas, a comunas que são ligadas ao conselho da cidade. Assim o poder e articulado cada vez mais profundamente na base.

Como  Joost Jongerden e Ahmet Akkaya escreveram em Confederalism and autonomy in Turkey: “o DTK não  só mais uma organização, mas parte da tentativa de forjar um novo paradigma político, definido pelo exercício direto e contínuo do poder pelos conselhos das vilas, cidades e cidades.”

É importante destacar que esse novo paradigma político não é defendido apenas pelas iniciativas que existem fora do âmbito da política institucional, mas também por partidos políticos pró-curdos como o Partido das regiões democráticas (DBP) e o Partido dos povos (HDP), o objetivo final não  é estabelecer a autonomia democrática nas regiões curdas mas também a nível nacional, tanto na Turquia quanto na Síria.

Ecologia social

A teoria da Ecologia social de bookchin é caracterizada pela crença que “nós devemos reordenar as relações sociais para que a humanidade viva em um balanço protetivo com o mundo natural.” uma sociedade pós-capitalista não poderá ser bem-sucedida a menos que seja criada em harmonia com o meio-ambiente.

Bookchin argumenta que “ a mensagem mais fundamental de avanço da ecologia social é a ideia de que dominar a natureza leva à dominação de um ser humano por outro ser humano” a ecologia social  vai além da visão tradicional dos marxistas e anarquistas sobre como organizar uma sociedade não-hierárquica , igualitária que coloque o impedimento de uma catástrofe ecológica iminente  no coração das lutas sociais.

Para os curdos, um povo tradicionalmente rural vivendo da agricultura e da criação de animais, manter o meio-ambiente é crucial para criar uma sociedade igualitária. A destruição movida pelo estado do meio ambiente nas terras montanhosas e na planície fértil da Mesopotâmia ocorre diariamente.

O exemplo mais óbvio é o do projeto GAP na Turquia, no qual dúzias de mega  barragens ou já foram construídas ou estão em construção. O projeto é apresentado como trazendo desenvolvimento para a região na forma de vagas de emprego nos canteiros de obras, de mega fazendas melhor irrigadas produzindo  culturas comerciais para exportação,  e na forma de empregos de meio-período para os pequenos agricultores expropriados e uma infraestrutura modernizada de energia coma  construção de  várias usinas hidrelétricas.

O que é visto como “desenvolvimento” pelos agentes do estado é experimentado de uma forma totalmente diferente pelas pessoas que vêm suas casas e vilas alagadas, o rios  que fluíam livremente serem transformados em mercadoria, suas terras serem expropriadas e compradas por grandes corporações e usadas para a produção em escala industrial de bem que servem para enriquecer donos de terras em suas mansões distantes. Esses megaprojetos destrutivos, de larga escala expoem a necessidade urgente de controle local sobre ambientes locais.

Mas enquanto arrancar o meio-ambiente das garras destrutivas das forças capitalistas sempre prejudiciais implica uma confrontação direta com o estado, um primeiro  e crucial-e potencialmente mais revolucionário- passo envolve a abolição da hierarquia no nível interpessoal. Enquanto, como argumentou, a dominação dos seres humanos sobre a natureza  origina-se da dominação de um ser humano pelo outro, a solução precisa seguir uma trajetória similar.

Nesse sentido, a emancipação da mulher é um dos aspectos mais importantes do ecologia social. Enquanto a dominação do homem sobre a mulher se mantiver intacta, o tratamento do nosso meio-ambiente como uma parte essencial da vida humana-em vez de uma mercadoria a ser explorada para o nosso benefício- ainda estará bem longe.

A esse propósito, os projetos emancipatórios  em curso na sociedade curda são um sinal de esperança. Embora em muitos casos as relações sociais nas famílias e na sociedade curdas ainda são influenciados por costumes e tradições antigos, mudanças radicais já podem ser observadas. Como uma militante da Academia de Mulheres de Amed disse em uma entrevista ao Tatort Kurdistan:

“As famílias  curdas não estão realmente abertas ao novo sistema. A Autonomia Democratica. Eles ainda não a internalizaram. Nós, as militantes, a muito a internalizamos e é nossa responsabilidade fazer a mudança, divulgar as ideias da Autonomia Democrática para as famílias, mesmo que seja em passos curtos. Nós podemos falar em casa como nós falamos fora dela. Quando nossas famílias vêm quão sério nós levamos isso, que vai afetá-los.claro, as discussões são bem difíceis. Portas batem, pessoas gritam.mas  com muita perseverança e discussão também criaram mudanças nas famílias.”

Ouvir, escutar e seguir

Os desenvolvimentos no Curdistão- e especialmente em Rojava, a região curda do Norte da Síria- fez cócegas na imaginação radical de militantes em todo o mundo. A revolução em rojava foi comparada comparada com Barcelona em 1936e aos Zapatistas em Chiapas, a esquerda radical necessita de sua própria mitologia como todo mundo, e é nesse sentido que Rojava, Barcelona e Chiapas servem como lembretes esperançosos de que HÁ uma alternativa, de que É possível organizar a sociedade de outra maneira.

Contudo, ao colocar essas instâncias de organização radical em um pedestal, como farol de esperança a ser reverenciado quando estamos em tempos duros, frequentemente nosso apoio a essas lutas não é muito diferente do apoio que damos quando torcemos para o nosso time de futebol favorito na TV. os Zapatistas nas selvas de chiapas e os curdos nas planícies da Mesopotâmia tem um longo caminho dependendo apenas da sua própria força e determinação. Seu relativo isolamento permitiu o desenvolvimento de alternativas radicais, mas para que esses experimentos sobrevivam por um longo prazo eles precisam de mais que apoiadores e simpatizantes. Eles precisam de parceiros.

“O capital global, precisamente por causa de sua enormidade, só pode ser devorado até suas raízes”, Bookchin escreveu em  A Politics for the Twenty-First Century,  “especificamente pelos meios da resistência municipalista libertária na base da sociedade. Ele deverá ser corroída pela multiplicidade de milhões, que mobilizados pelo movimento de base, desafiam a soberania do capital global sobre as vidas dos outros e tentam desenvolver alternativas econômicas regionais para suas operações industriais.”

Bookchin acredita que se o nosso ideal é a Comuna das Comunas, o lugar natural para começar no nível político local, com um movimento e um programa como a “defesa descompromissada dos bairros populares e das assembleias e o desenvolvimento de uma economia municipalizada”

Por fim, a melhor forma de apoiar as lutas dos curdos, dos zapatistas e de muitos outros movimento e iniciativas revolucionárias que nasceram pelo globo nos últimos anos, é ouvindo suas histórias, aprendendo com suas experiências e seguindo seus passos.

Uma confederação de municípios auto-organizados, transcendendo as fronteiras nacionais, étnicas e religiosas é o melhor bastião contra os poderes imperialistas e forças capitalistas sempre invasores. Na luta para atingir esse objetivo, a exemplos piores para seguir que as ideias mostradas por Murray Bookchin e pela prática do Municipalismo Libertário.

Por Joris Leverink  , originalmente publicado em Roar Magazine