Por Ribamar Fonseca em sua coluna no Site 247

Sempre foi dito, nesta coluna, que a conspiração para derrubada da presidenta Dilma Rousseff, liderada pelo senador Aécio Neves, e a Operação Lava-Jato, comandada pelo juiz Sergio Moro, são parte de um projeto muito maior, inspirado no exterior, com o objetivo de impedir que o Brasil se torne efetivamente uma grande potência, libertando-se em definitivo da influência dos Estados Unidos. Com o pretexto de combate à corrupção busca-se enfraquecer a nossa mais importante estatal, a Petrobrás, como parte de velho projeto (desde o governo de FHC) para entregá-la ao capital estrangeiro, junto com as nossas riquezas petrolíferas, em especial o pré-sal.

Ao mesmo tempo, usa-se o mesmo combate à corrupção como cortina de fumaça para ações mais ousadas, que atingem setores de fundamental importância para a segurança nacional. Além do petróleo, que é estratégico para a soberania nacional, sutilmente tenta-se agora sabotar o programa nuclear brasileiro, de modo a evitar que o Brasil conquiste um lugar entre as grandes potencias nucleares. A prisão do almirante Othon Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, pela Policia Federal, por ordem do juiz Sérgio Moro, seria o primeiro passo para paralisar e desmontar, inclusive, o programa de construção do primeiro submarino nuclear nacional.

A prisão do almirante, conforme revelou a jornalista Tereza Cruvinel, foi comemorada pelo jornal americano New York Times, que o acusa de realizar clandestinamente um programa nuclear no Brasil. Só essa informação já seria suficiente para suspeitar-se que existe algo muito mais perigoso à nossa soberania, nessa chamada fase de “radioatividade” da Operação Lava-Jato, do que o combate à corrupção, até porque não há nada que efetivamente comprove o envolvimento do almirante e justifique a sua prisão. E o magistrado já quer investigar até a construção do submarino nuclear pela nossa Marinha, o que começa a deixar à mostra o verdadeiro objetivo de tudo isso.

Angra 3

Alguns articulistas, entre eles o jornalista e economista José Carlos de Assis, advertiram para o fato de que a prisão do almirante Othon Pinheiro da Silva “pode ser um ato duplo de sabotagem do mais importante projeto de Defesa do Brasil, o submarino nuclear, assim como da tecnologia das centrífugas”, que é mais avançada do que a dos norte-americanos. Ele vai mais além em suas advertências, ao afirmar que o almirante “é um arquivo vivo de tecnologia” e que “metê-lo na cadeia como prisioneiro comum, sujeito às torturas psicológicas do juiz, que se especializou em delações premiadas arrancadas pelo stress da cadeia, é um risco para a segurança nacional e para a Defesa”.

Na verdade, como já se tornou rotina vergonhosa o vazamento seletivo dos depoimentos dos presos da Lava-Jato, o depoimento do almirante corre o risco de ganhar as manchetes dos jornais e, especialmente, os ouvidos no exterior dos interessados em sabotar o programa nuclear brasileiro. Como o almirante é o cérebro do programa, não é difícil imaginar que tipo de informação pretendem arrancar dele depois de passar por aquela “fase” que antecede as delações premiadas. Cabem, então, duas perguntinhas: será que os nacionalistas brasileiros, civis e militares, vão aceitar sem reagir essa ameaça à soberania nacional? A Marinha, em particular, e as Forças Armadas, em geral, vão manter os braços cruzados diante dessa interferência indébita no programa de defesa nacional? E o governo, não diz nada?

O combate à corrupção não pode servir de pretexto para entregar-se aos interesses estrangeiros segredos de Estado. Afinal, o Brasil não pode assistir inerte a ações contrárias aos interesses nacionais. Se nada for feito para defender o nosso país dos excessos da Lava-Jato, que parece ter se tornado, junto com Aécio e companhia, instrumento de interesses externos, não seria melhor entregar logo para o juiz Moro, de direito, o poder que ele já exerce de fato, considerando que diante do silêncio do STF e o apoio escancarado da mídia ele se tornou o homem mais poderoso do país?

Antes de encerrar, apenas um lembrete aos supersticiosos: já estamos no clima de agosto…